Capítulo Oito: Alteza, Seja Mais Gentil
O homem não utilizava qualquer energia de combate; limitava-se a usar pura técnica de punhos e pernas ao trocar golpes com Leng Manyan. A mulher diante dele, embora demonstrasse habilidades marciais notáveis, de fato não possuía energia de combate alguma — nada que ele precisasse considerar dignamente.
Leng Manyan, percebendo o tom de desprezo do homem, ao invés de se enfurecer, sorriu. Seus ataques tornaram-se ainda mais cruéis, cada movimento visando pontos vitais, sem qualquer piedade.
— Realmente, faz jus à tua reputação implacável, Leng Manyan — comentou o homem, esquivando-se por um triz de um círculo de ataques, esboçando um sorriso perverso e soltando um suspiro admirado.
— Nesse caso, por que não ser ainda mais impiedosa? — replicou Leng Manyan, o rubor dos lábios torcendo-se num sorriso, as sobrancelhas e o olhar carregados de ferocidade. A expressão cruel, acentuada pela marca vermelha que lhe tingia metade do rosto, tornava-a ainda mais aterradora.
Mal terminou de falar, Leng Manyan avançou repentinamente; o homem tentou empurrá-la, mas ela se lançou para a frente, caindo sobre ele. Ele recuou apressado, evitando o contato, mas ela aproveitou o embalo, arqueou-se, os cinco dedos transformando-se em garras, desferindo um golpe — em direção à região inferior do homem.
A velocidade, o olhar, a força — tudo indicava a intenção de despedaçá-lo sem hesitação!
Instintivamente, o homem protegeu-se e recuou, mas, para sua surpresa, o alvo de Leng Manyan não era seu corpo; a mão dela girou abruptamente e agarrou o véu que lhe cobria o rosto, arrancando-o com um puxão seguro.
Leng Manyan viu, finalmente, o rosto daquele homem.
Traços perfeitos, talhados como por lâmina e cinzel. Sobrancelhas arqueadas, alongando-se até as têmporas, olhos longos de fênix tingidos de negro, onde se acumulavam raiva e frieza, como se quisessem despedaçá-la. Os olhos semicerrados, o nariz altivo, os lábios finos e rubros cerrados numa linha reta, sem qualquer curva, frios, orgulhosos e, ao mesmo tempo, sedutores. Essas duas qualidades tão opostas coexistiam de forma harmoniosa em sua figura.
Havia nele um inato ar de nobreza real, uma altivez que o colocava acima dos demais — mas tal superioridade não era irritante, pois ele realmente possuía razões para tal arrogância.
Long Xiaofeng, o atual príncipe herdeiro, era também o único entre os jovens da geração de Xiangtian a alcançar o auge do nono nível da energia de combate — o expoente maior de sua época, com capital mais que suficiente para ser altivo.
— Alteza, confesso que não sabia que possuías tal disposição para visitar meu Pavilhão Fulan. Não me digas que vieste… espiar? — Leng Manyan, ao reconhecer Long Xiaofeng, abandonou qualquer intenção de continuar a luta. Com desdém, lançou-lhe o véu e, sem cerimônia, caminhou até o divã, deitando-se com um charme tentador.
Xiaobai dormia tranquilamente sobre o divã. Mesmo quando Long Xiaofeng e Leng Manyan se enfrentaram ferozmente, Xiaobai permaneceu imóvel, como se nada pudesse perturbá-lo. Agora, com Leng Manyan deitada, ele continuava a dormir profundamente.
— Não sei o que haveria em ti digno de ser espiado — retrucou Long Xiaofeng, já desmascarado, sem mais dissimular. Sua frase, carregada de escárnio, foi lançada ao acaso, mas, ao erguer os olhos, deparou-se, sem querer, com a visão sedutora de Leng Manyan.
Ela vestia, às pressas, apenas um manto largo, que, devido à luta, abria-se generosamente sobre o colo, revelando vasta extensão de pele alva, o pescoço esguio e provocante, a sensualidade das clavículas, e, entreaberto, o indício de abundância sob o tecido frouxo…
Leng Manyan mantinha uma perna dobrada; o manto, que lhe cobria apenas até os joelhos, ao se mover, deixava à mostra um par de pernas longas e alvas, numa postura absolutamente provocante.
— Alteza, olhas-me assim, tão despudoradamente… O que vês, afinal? Gostaria de saber: que parte de mim julgas digna de tua curiosidade? — Leng Manyan arqueou uma sobrancelha, lançando a Long Xiaofeng um olhar lânguido e sedutor. Mesmo com a marca assustadora no rosto, aquele olhar não perdia em nada de seu poder de fascínio.
— Leng Manyan, quanta desfaçatez! Mudaste, de fato… mas tornaste-te ainda mais odiosa e detestável! — Long Xiaofeng não demonstrava o mínimo cavalheirismo em suas palavras. Viera apenas porque Jin Ke e Hong Yi haviam dito que fora essa mulher a salvá-lo; descrente, decidira conferir pessoalmente. Jin Ke dissera que Leng Manyan estava muito diferente — e, de fato, ela agora era outra, mas ainda assim, insuportável e cruel!
— Tens medo? Ou é desprezo? Que o príncipe herdeiro tema uma simples mulher como eu, a ponto de nem ousar se aproximar? — O olhar de Leng Manyan cintilava, com um sorriso leve nos lábios, a expressão carregada de provocação.
Long Xiaofeng era, afinal, um homem como qualquer outro, mas também altivo e orgulhoso; como poderia tolerar que uma mulher falasse com tamanha arrogância diante dele?
Avançou a passos largos, a mão grande apertando o delicado pescoço de Leng Manyan. Diante dela, que não demonstrava a menor intenção de resistir, ele manteve o semblante gélido e bradou:
— Leng Manyan, não me culpes por ser impiedoso!
Os olhos de Leng Manyan se estreitaram — era justamente isso que ela queria, que Long Xiaofeng se aproximasse por vontade própria… Com um movimento ágil da perna e um rápido gesto do braço, inverteu as posições, puxando Long Xiaofeng para si e, aproveitando o embalo, virou-o, prendendo-o sob seu corpo.
Entre os dedos longos dela, já repousava uma agulha prateada…
— Leng Manyan, levanta-te imediatamente! — Long Xiaofeng se irritou, sentindo o próprio corpo reagir de modo inusitado. Leng Manyan, tão flexível quanto uma serpente, pressionava com o busto firme contra o peito dele; daquela perspectiva, Long Xiaofeng vislumbrava o esplendor do decote. Com aquela suavidade tentadora em seus braços, todo seu corpo retesou-se num só instante.
— Alteza, seja gentil. Não se deve tratar uma dama com tal rudeza. Ou talvez… sejas um “membro partido”? Por isso tamanha aversão às mulheres? Não seria impossível… Afinal, como explicar que não possuas sequer uma concubina, e até hoje vivas sem esposa? — Na memória de Leng Manyan, Long Xiaofeng era sempre sério e rígido, nunca sorria, tratava tudo com extrema gravidade.
Ela o provocava de propósito, apenas para captar sua atenção. Jamais ignoraria um homem que invadisse seu Pavilhão Fulan!
Aquelas palavras, porém, só fizeram com que a reação de Long Xiaofeng se intensificasse. Acusar um homem de ser “membro partido” era grave ofensa, capaz de deixá-lo furioso e ansioso por provar sua virilidade. E agora, com o busto de Leng Manyan ainda pressionando-lhe o peito, mesmo sob o tecido, ele podia sentir a firmeza e a maciez que o tentavam…
As imagens que lhe cruzavam a mente só faziam crescer seu desejo.
— Alteza, teu rosto está tão rubro… Não seria por minha causa? — Leng Manyan olhou para Long Xiaofeng com diversão, contemplando aquele semblante belo e enrubescido, os olhos faiscando de raiva, um ar tempestuoso que a divertia imensamente.
— Maldita… — murmurou Long Xiaofeng, já tomado por ira e vergonha. Prestes a repreender Leng Manyan, sentiu uma pontada aguda atrás da orelha, e logo uma onda de fraqueza percorreu-lhe todo o corpo…