Capítulo Cinco: O Espanto do Professor Mao
Assim, Tang Zhen perguntou, num tom de sondagem: “Então, quer dizer que, do jeito que estou agora, já aprendi o Punho da Flor de Ameixeira em Cruz?”
“Correto, porém, mestre, o que você aprendeu por ora não passa de uma casca vazia; não alcançou a essência desta técnica. Se o tivesse feito, sua força de combate teria se elevado muito mais do que isso.”
Afinal, era o primeiro contato de Tang Zhen com o Sistema do Mestre Decatleta, e alguns apontamentos se faziam necessários — a bela assistente não se furtou a instruí-lo.
“O que quer dizer com isso? Acaso esse punho fajuto ainda guarda algum segredo mirabolante?”
“Sobre isso, à noite, enquanto estiver dormindo, explico-lhe em detalhes. Agora, precisa acordar; seu professor já entrou na sala.”
Tang Zhen abriu os olhos de súbito, enxugando o canto da boca, surpreso por, após tantos anos, ainda conseguir dormir tão profundamente apoiado sobre a mesa. Ao menos não desonrara o antigo título de “Imortal do Sono” que detivera nos tempos de estudante.
O Professor Mao, com uma pilha de provas nas mãos, colocou-as sobre a cátedra e anunciou: “Hoje, durante o estudo noturno, faremos um teste. Afastem as carteiras.”
No segundo semestre do terceiro ano do ensino médio, provas tornaram-se parte da rotina — uma forma de acostumar os alunos ao ambiente do vestibular, para que, no momento decisivo, o nervosismo não os traísse, conduzindo à tragédia.
O vestibular é um dos grandes pontos de inflexão da vida, ou, se preferirmos, um novo ponto de partida; uma má performance pode ser motivo de arrependimento para toda a existência.
Tang Zhen estranhou: logo no primeiro dia após seu renascimento, já deparava-se com uma prova. Não estava minimamente preparado — fazia anos que não enfrentava tal cenário.
Contudo, lembrando-se de que, graças à memória extraordinária, revisara cerca de um sexto do compêndio de exercícios matemáticos, decidiu aproveitar o teste para aferir seus resultados.
As provas foram rapidamente distribuídas. Assim que Tang Zhen deitou os olhos sobre as questões, seu coração se encheu de júbilo. No estágio de revisão do terceiro ano, as provas de matemática eram divididas por blocos temáticos, e toda aquela prova versava sobre funções — justamente o conteúdo que revisara.
Respirou fundo e pôs-se a responder as questões. Em menos de uma hora completou tudo, reservando ainda alguns minutos para uma revisão minuciosa — hábito que só adquirira durante o período em que repetira de ano.
Na vida passada, jamais revisava as respostas; afinal, com aquela pontuação mísera, revisar ou não dava no mesmo. Agora, não podia mais ser tão displicente: no fim das contas, ainda era somente um estudante.
Absorto no tédio, Tang Zhen sentiu novamente o sono chegar, bocejando largamente, mas esforçou-se para manter os olhos abertos, deixando a mente vaguear pelas técnicas do Punho da Flor de Ameixeira em Cruz. Por mais rudimentar que fosse, era melhor do que nada — e não havia mesmo muito o que fazer.
Se não fosse pela presença do Professor Mao como fiscal, já teria entregue a prova e saído.
Na verdade, o próprio Professor Mao já se surpreendera ao ver Tang Zhen presente no estudo noturno, ainda mais com tamanha aplicação. Observando-o resolver as questões, notou que não se distinguia dos melhores alunos, o que lhe trouxe certo alívio: será que o aluno-problema finalmente decidira corrigir o rumo?
No entanto, não passara nem uma hora de prova e aquele rapaz já parava de escrever, mergulhado em devaneios. Intrigado, o Professor Mao aproximou-se da carteira de Tang Zhen, curioso para ver sua folha de respostas — hábito comum entre professores.
“Impossível... Estão todas corretas?” Bastou-lhe conferir algumas das questões para empalidecer de assombro.
Sua primeira suspeita foi de que Tang Zhen copiara de alguém, mas os colegas ao redor ainda não haviam terminado e nem largaram as canetas. Por mais astuto que fosse, Tang Zhen não poderia ter inventado as respostas do nada.
Descartando essa hipótese, pensou em outra possibilidade: Tang Zhen talvez já tivesse visto aquela prova antes, memorizando todas as respostas.
Mal formulou a ideia, o professor sorriu de si para si: ainda que fosse isso, só a capacidade de memorização já seria prodigiosa — com tal memória, por que precisaria colar?
“Ah! Professor Mao!” — foi então que Tang Zhen despertou de seus pensamentos e deu-se conta de que o professor examinava sua prova, o semblante estranho. Surpreso, murmurou:
“Venha comigo, tenho umas questões para lhe fazer”, disse Mao, pegando a prova de Tang Zhen e dirigindo-se à porta dos fundos.
“O que será que ele quer?”, Tang Zhen pensou, inquieto, mas seguiu obediente.
No fim do corredor, junto à escada, o professor parou, virou-se com expressão solene e declarou: “Vou lhe fazer algumas perguntas, e quero que responda com toda a sinceridade!”
Tang Zhen assentiu em silêncio.
Apontando para a prova, o professor indagou: “Já tinha visto essas questões antes?”
Tang Zhen respondeu com a cabeça: “Não, entendo o que o senhor quer dizer, mas posso garantir que não colei!” Apesar de nunca ter se dedicado aos estudos, Tang Zhen era inteligente.
“Quanto a isso, acredito em você. Mesmo com as notas baixas, nunca o vi colando dos colegas”, disse Mao, que, como professor responsável pela turma, conhecia bem o perfil de cada estudante.
“Mas pode me explicar por que, de repente, você sabe resolver todas essas questões — e acertou tudo?”
Mudando o tom, Mao fixou em Tang Zhen um olhar perscrutador, buscando qualquer sinal de hesitação.
“Na verdade, tenho revisado por conta própria todas as noites em casa, com ênfase em funções. Por acaso, as questões de hoje caíram justamente sobre o que venho estudando. Ah, professor, o senhor disse que acertei todas — é verdade?”
Tang Zhen manteve o semblante calmo, como quem relata trivialidades, mas ao final revelou um entusiasmo preciso, digno de um ator premiado.
Ouvindo-o, o professor ficou ainda mais pasmo. O motivo soava forçado, porém não era impossível.
Seria mesmo possível, só com estudo autodidata, dominar tão profundamente o tema das funções? Seria este realmente o Tang Zhen que ele conhecia?
Por um momento, o professor sentiu-se incapaz de decifrá-lo; se realmente possuía tal talento, mesmo restando apenas pouco mais de quatro meses, haveria muito por fazer — se o soubesse aproveitar.
Se Tang Zhen de fato começasse a se esforçar agora, deveria ele, o professor, ainda insistir em transferi-lo para a turma de Humanas? Uma súbita incerteza tomou conta de seu coração.