Capítulo Sete: O Único em Meu Coração
阮 Mianmian acariciava os cabelos, perdida em pensamentos, sem encontrar solução imediata para aquele dilema.
— Hum... —
Subitamente, a luz do quarto se acendeu, e, diante do brilho inesperado, ela instintivamente cobriu os olhos, sentindo-se momentaneamente desconfortável.
— Voltou a energia. —
Ela baixou o braço, lançou um olhar para a cabeceira da cama e, em seguida, voltou a abraçar os joelhos, sentando-se silenciosa sobre o leito.
— Toc-toc-toc! —
Ouviu-se uma batida leve à porta, seguida de uma saudação cortês vinda do corredor:
— Senhorita Ruan, está tudo bem? O jovem mestre pediu que a senhora fosse até ele.
Era a voz do velho Zhang!
Ruan Mianmian ergueu o olhar na direção da porta, intrigada:
— Jiang Ce quer que eu vá até lá? Isso...
Ao recordar a cena constrangedora de instantes atrás, sentiu-se relutante em se mover, mas, em nome de seus planos futuros, decidiu ir. No pior dos casos, fingiria indiferença.
Afinal, ela era dotada de uma audácia admirável!
Pensando assim, levantou-se, abriu a porta; o velho Zhang aguardava sorridente do lado de fora, segurando uma tigela fumegante de sopa.
Ruan Mianmian ficou momentaneamente hipnotizada — não havia comido nada durante todo o dia. À tarde, após uma injeção de nutrientes, não sentira fome, mas agora, o aroma lhe provocava uma ânsia irresistível.
— Vá até o jovem mestre primeiro, senhorita — disse Zhang, gentil. — A sopa ainda está quente. Quando voltar, poderá tomá-la.
Ela piscou os olhos, curvando as sobrancelhas numa expressão agradecida.
— Muito obrigada!
E, com passos leves e decididos, dirigiu-se ao quarto no final do corredor. Após bater à porta, ouviu prontamente uma resposta:
— Entre.
O tom era neutro, desprovido de emoção, como se falasse com um transeunte qualquer.
Ruan Mianmian revirou os olhos, murmurando consigo:
— Por que me comparo a um gato ou cão de rua?
Sem tempo para ponderar, já estava dentro do quarto. O caos de antes desaparecera, substituído por ordem e limpeza. Os lençóis haviam sido trocados, assim como o tapete, e até os curativos de alguém estavam renovados.
O olhar de Ruan Mianmian pousou, por dois breves segundos, sobre os músculos abdominais ocultos sob as bandagens, e suas sobrancelhas se ergueram imperceptivelmente, em sinal de encantamento.
Mas, antes que pudesse apreciar mais, Jiang Ce puxou discretamente o cobertor para cima, ocultando tudo.
Ruan Mianmian: “... Não era necessário, não é? Já vi o que tinha de ver.”
— Senhorita Ruan, recém chegada a Jiangcheng, seu salário não aumentou, mas sua inteligência, sim. — O olhar de Jiang Ce deteve-se por um instante nos lábios tensos dela.
Ela ergueu os olhos e sorriu:
— Não pense que não percebo a sua ironia.
Ele lançou-lhe um olhar carregado de significados, mas antes que ela pudesse decifrar, desviou novamente os olhos.
— A senhorita nos honra com sua visita. A que se deve tal gentileza? — Sua voz transbordava frieza.
Ruan Mianmian sabia que Jiang Ce guardava ressentimento, talvez até desilusão pelas atitudes dela no passado. Seu olhar parecia erguido como um muro intransponível.
Mas quanto mais ele se fechava, mais ela se esforçava para avançar.
— Vim visitar um enfermo. — respondeu, lacônica.
— Visitar um enfermo?
Ele ergueu a cabeça, o rosto marcado de sarcasmo, como se duvidasse.
Ruan Mianmian corou, e, resignada, disse:
— Afinal, você me salvou. É natural que eu venha agradecer e, de quebra, ver como está.
Jiang Ce parecia ponderar a veracidade das palavras dela.
Ruan Mianmian suspirou mentalmente: "Óh, antiga eu, quantas injustiças cometeste contra Jiang Ce, a ponto de uma simples frase despertar tamanha desconfiança..."
Ela prosseguiu, suspirando:
— Não se preocupe, vim ver você, apenas isso.
Jiang Ce soltou um riso frio:
— Por que não revela logo seu propósito? Talvez eu seja direto e lhe dê a resposta.
Uma irritação súbita ascendeu em Ruan Mianmian; não fosse pelas feridas que ele carregava ao salvá-la, teria vontade de socá-lo. Embora provavelmente não conseguisse vencê-lo...
Afinal, Jiang Ce era notório pela destreza. Nos círculos subterrâneos de Jiangcheng, todos o chamavam de "irmão Jiang". Mesmo ferido, ela não teria chance.
— Silêncio? Acertou na mosca? — ele provocou.
Ela mordiscou os lábios, percebendo que Jiang Ce intencionalmente fomentava discórdia entre eles. Pois bem, não seria mais cortês.
Sem responder, virou-se em direção à porta. O olhar de Jiang Ce acompanhou seu movimento, e o sarcasmo em seus lábios se intensificou.
Veja, Jiang Ce, por que ainda nutrir esperança em relação a Ruan Mianmian? Ele decidiu, em silêncio, que o episódio de ontem estava encerrado: não queria mais qualquer vínculo com ela.
Mas, ao chegar à porta, Ruan Mianmian parou abruptamente, voltou-se para Jiang Ce, um brilho astuto nos olhos.
— Tem certeza de que quer continuar falando comigo desse modo?
Sua mão pousou sobre o interruptor do lustre; claramente, se ele assentisse, ela o apagaria, mergulhando o quarto novamente na penumbra.
Após testemunhar sua crise de medo do escuro, aquela ameaça era evidente.
Jiang Ce imediatamente fechou o semblante, fitando-a com olhar sombrio:
— O que, afinal, você pretende?
Diante daquela Ruan Mianmian, Jiang Ce sentiu-se impotente; sabia que ela não tinha boas intenções, mas, mesmo assim, era arrastado, passo a passo, para dentro do jogo dela, à mercê de seus caprichos.
Esse sentimento o repugnava e lhe dilacerava o coração.
Até quando essa mulher insensata continuará sendo usada por Jian Yan?
Mas, ao pensar nisso, Jiang Ce soltou um sorriso amargo: "E você? Até quando continuará sendo manipulado por Ruan Mianmian, antes de aprender a ser cruel com ela?"
No instante seguinte, ela retirou a mão do interruptor, e ficou imóvel junto à porta, falando suavemente:
— De repente, compreendi algumas coisas. Agora estou sem lar; só me restou procurar você.
Ruan Mianmian apertou as coxas, lágrimas brotando nos olhos. Olhou, assustada, para Jiang Ce, suplicando:
— Não me mande embora, por favor!
Jiang Ce: "..." Que espetáculo é esse?
Vendo-o calado, ela intensificou sua atuação:
— É verdade, eu abandonei as trevas e abracei a luz. De agora em diante, você é tudo para mim, o único no meu coração, eu amo você!
Para dar mais ênfase à declaração, ela fez um gesto de coração com as mãos.
Um lampejo de conflito surgiu nos olhos dele, mas logo se dissipou, substituído por uma frieza ainda maior; calado, fitou-a com intensidade.
Sob aquele olhar, Ruan Mianmian sentiu um arrepio, percebendo que sua performance não agradara ao gosto de Jiang Ce.
Um verdadeiro fiasco...
O olhar dele recaiu sobre as mãos dela, agora baixando devagar, e ele zombou:
— E Jian Yan? Esse Jian Yan que ocupa todos os seus pensamentos, já não se importa mais com você?