Prólogo O Assassinato nas Nove Zonas
O Nono Distrito situa-se na periferia da cidade, e, em comparação com os outros oito distritos, revela-se atrasado e desolado. Não há por ali o fulgor das luzes urbanas, raramente passam veículos, e até mesmo os restaurantes e supermercados mais básicos só podem ser encontrados a vários quilômetros dali, no Oitavo Distrito.
O que tornou célebre o Nono Distrito é uma fila de prédios de apartamentos antigos, construídos ainda no século passado. Apesar da idade avançada, esses edifícios continuam a atrair muitos inquilinos, graças ao aluguel que é consideravelmente inferior ao das demais regiões.
A maioria dos moradores são jovens recém-formados, que chegam à cidade carregando sonhos variados. No entanto, o elevado custo de vida e dos imóveis logo esmorecem seus ânimos, obrigando-os a buscar refúgio temporário ali. Saem cedo e retornam tarde, embarcando de manhã no único ônibus do distrito que os conduz ao centro da cidade, e, à noite, voltam pelo mesmo veículo. Fora o trabalho, quase não saem de casa; não lhes sobra tempo para socializar, tampouco para se divertir. A existência, para eles, é árida e apressada.
Parecia haver apenas uma exceção: um jovem de cabelos vermelhos, habitando um recanto remoto daquele bairro esquecido. Embora vivesse no apartamento mais deteriorado de todo o distrito, o interior de sua morada era decorado com engenho e delicadeza. E possuía, além disso, um automóvel, velho, mas limpo; talvez por isso, parecia ter muito mais tempo livre do que os demais.
Quase todos os habitantes do bairro já haviam cruzado com ele ao menos uma vez, mas ninguém o conhecia de fato; não sabiam seu nome, nem quando teria se mudado para o prédio.
Circulavam rumores de que ele era um brilhante estudante universitário, que encontrara um emprego respeitável no centro após a formatura. Outros diziam que seu pai era uma figura importante, e que o jovem, apesar de poder levar uma vida despreocupada, escolhera lutar sozinho... Havia muitas histórias desse tipo, todas plausíveis, mas raramente verossímeis. Ele próprio jamais se deu ao trabalho de negar ou explicar coisa alguma.
Devido à localização, o fornecimento de eletricidade no Nono Distrito era notoriamente instável. Os moradores, com o tempo, habituaram-se a essa precariedade.
Mais uma noite de apagão tornava o bairro, já pouco movimentado, ainda mais silencioso. Na rua, apenas os faróis do carro do jovem de cabelos vermelhos, retornando tarde, lançavam algum brilho. Era seu hábito, após o expediente, jantar em um restaurante do Quarto Distrito e, de passagem, visitar uma livraria no Oitavo; só quando a noite já se adensava, voltava para sua casa no Nono Distrito.
Embora fosse apenas o início do outono, o jovem sentiu um frio lancinante, uma frieza estranha, que parecia emanar de dentro para fora. Apertou o casaco contra o corpo, uma sensação sutil e inquietante lhe brotou no peito, trazendo-lhe certo temor; estacionou rapidamente e correu para dentro do edifício.
O corredor estava mergulhado em trevas. O jovem ativou a lanterna do celular para iluminar o caminho; conhecia cada degrau da escada, mas a inquietação daquela noite era tamanha que, mesmo uma luz tão tênue lhe proporcionava um mínimo de conforto. Subiu as escadas apressado, sentindo o coração acelerar, envolto por uma inexplicável angústia. A mão trêmula buscou as chaves, errando duas ou três vezes até finalmente destrancar a porta e poder respirar aliviado.
Com a frágil luz do celular, tateou à procura da lâmpada de emergência que sempre mantinha para os apagões. Porém, ao iluminar o interior do quarto, sentiu um arrepio mortal: na escuridão, estava de pé um homem empunhando uma faca.
O cérebro do jovem ficou em branco; por alguns segundos, não conseguiu reagir à cena diante de si. Quando se deu conta de que precisava fugir, já era tarde: o homem avançou sobre ele. Tentou recuar, escapar, mas foi dominado: o agressor segurou-lhe com força a nuca, aproximando-os até ficarem quase colados. Uma dor aguda rasgou-lhe o lado esquerdo do peito, entre as costelas.
Tudo aconteceu depressa demais. O jovem ainda tentava compreender o ocorrido, mas, em um instante, as forças abandonaram suas pernas. Caiu para trás, enquanto o homem não hesitava: retirou a lâmina do corpo do jovem e, sem pausa, desferiu um segundo golpe, ainda mais profundo e veloz.
A sequência se repetiu algumas vezes, até que o jovem já não resistia, ou melhor, já não era capaz de resistir. Permaneceu deitado, imóvel, com as pupilas dilatadas, vazias e assustadoras.
O homem respirava com dificuldade; seu