Capítulo Dois: Desempregado?!

Tetangga Sang Pembunuh Senja Bersalju yang Sunyi 4375kata 2026-03-13 14:41:11

Yu Zhe chegou com meia hora de antecedência ao Distrito Dois, a várias horas de distância de sua casa. Vagueou sob um prédio de apartamentos, mas, na verdade, estava ali para observar o ambiente—um hábito seu, do qual não abria mão, mesmo em lugares que já visitara incontáveis vezes.

Seu contato sempre recorria a cartões-postais para se comunicar com ele. Embora Yu Zhe considerasse o método trabalhoso, acabava por ceder em nome da “segurança”. Sempre se perguntava se outros profissionais do ramo também agiam assim, mas, até hoje, além do mestre que o introduzira no ofício, jamais vira ou ouvira falar de outro colega.

Às vésperas das três horas, Yu Zhe entrou num edifício de muitos andares. Para evitar as câmeras de vigilância, sempre optava pelas escadas—e amaldiçoava o contato por morar no vigésimo andar, o que, somado à rotina de receber tarefas e pagamentos, tornava a visita ainda menos desejada.

Por fim, Yu Zhe galgou os vinte andares e bateu à porta do contato com firmeza—“toc, toc, toc”.

Ninguém respondeu.

“Toc, toc, toc”—bateu mais algumas vezes, mas o silêncio persistiu.

Aquilo era deveras estranho. Uma súbita inquietação tomou conta de Yu Zhe. Sabia, no íntimo, que algo ruim poderia ter acontecido ao contato, e que a escolha mais prudente seria partir dali rapidamente. Contudo, a curiosidade o impelia a entrar e averiguar.

Tendo algum conhecimento de arrombamento de fechaduras, Yu Zhe não teve dificuldade em abrir aquela velha porta de segurança.

Minutos depois, a fechadura cedeu com um “clique”. O interior do apartamento estava mergulhado em profunda escuridão, exalando uma atmosfera lúgubre e ameaçadora.

Yu Zhe empunhou a pequena faca que sempre carregava consigo e, prudentemente, empurrou a porta. No interior, um silêncio denso e estranho reinava. Cortinas espessas vedavam quase toda a luz exterior, deixando apenas tênues feixes escaparem pela fresta entre as duas folhas.

Sem sinal do contato, Yu Zhe avançou lentamente para os outros cômodos, observando tudo à sua volta com a pouca claridade. Em sua mente, desfilavam-se mil possíveis cenários—mas, para seu desalento, a maioria era de desfecho trágico.

Primeiro, encontrou o escritório. Prendeu a respiração e entrou, com passos leves.

O contato estava ali, de fato—mas jazia no chão, rígido, gélido, membros abertos em desalinho.

Yu Zhe inspirou bruscamente. Embora já esperasse por tal desfecho, deparar-se com a cena era ainda assim difícil de aceitar.

No entanto, ele não tardou a recuperar a frieza típica de um assassino profissional. Acendeu a luz do aposento e passou a examinar o cadáver com atenção.

O rosto do contato estava contorcido num esgar horrendo. Três pequenos orifícios sangrentos marcavam sua testa—um claro indício de execução à queima-roupa. O autor do crime agira com precisão e eficiência. O corpo já se encontrava totalmente enrijecido: a morte ocorrera havia algum tempo.

A mente de Yu Zhe era um turbilhão. Não sabia o que deveria fazer a seguir—fugir? Chamar a polícia? Outras alternativas? Só de cogitar tais ideias, sentia-se ridículo.

Havia ainda outro problema. Toda a logística de missões e pagamentos passava por aquele contato. Com sua morte, como prosseguir? Para onde ir? O que fazer? Essas perguntas o assaltavam.

Por fim, Yu Zhe decidiu: começaria a investigar, a partir daquele quarto, qualquer pessoa relacionada ao contato—tanto para descobrir quem perpetrara o crime, quanto para tentar encontrar outros contatos. Não pretendia se retirar do ofício; queria, por meio deste contato morto, localizar outros e assim continuar trabalhando.

Surpreendeu-se com sua própria lógica. Perguntou-se: como reagiria uma pessoa comum numa situação dessas? Certamente, não como ele. Percebeu-se assombrosamente... frio; a morte de alguém próximo a si não lhe despertara qualquer emoção.

O plano de Yu Zhe parecia simples, mas era difícil de executar: precisava extrair, de uma torrente de informações, aquilo de que necessitava. Pensou imediatamente nos cartões-postais. Se ele usava esse método para se comunicar, era provável que o contato também o empregasse com outros. Porém, encontrou quase dez conjuntos de cartões já escritos no escritório. Tentou decifrá-los, mas constatou que os métodos de codificação diferiam do seu. Assim, a pista mais óbvia revelou-se inútil, o que lhe trouxe frustração.

Pensou então em analisar os registros de comunicação. Mas havia uma infinidade de contatos—só no celular, dezenas de números diferentes; na caixa de e-mails, informações ainda mais numerosas e difíceis de analisar.

“Maldição, que trabalho infernal…”, murmurou Yu Zhe, sentindo crescer a irritação. Preferia métodos simples: receber as informações do alvo na mão do contato, executar a missão e pronto. Agora, diante da necessidade de vasculhar dados, percebia o quão árdua podia ser essa tarefa.

Por fim, entre o emaranhado de informações, Yu Zhe isolou um endereço—Rua Três, número 48, no Distrito Dois.

A pista viera de um bilhete que escapara à destruição—um “sobrevivente”, talvez por ser pequeno e pouco notório. No final do papel, lia-se a assinatura: “Senhora Tao”.

Yu Zhe jamais ouvira falar daquele endereço. Decidiu, mesmo assim, arriscar. Rápido, limpou todos os vestígios de sua presença no apartamento; hesitou diante do corpo do contato, cogitou eliminá-lo, mas decidiu que aquilo cabia a outros. Afinal, agora que o homem estava morto, nada mais o ligava a ele.

Meia hora depois, Yu Zhe estava diante da porta do número 48 da Rua Três—uma loja de antiguidades, discreta e despretensiosa. Bastou um olhar pela janela para perceber o caos de objetos amontoados no interior.

Entrou na loja, circulando o olhar à procura da “Senhora Tao” mencionada no bilhete.

“Bem-vindo”, soou uma voz feminina próxima.

Yu Zhe voltou-se e viu, atrás de um balcão atulhado de quinquilharias, uma mulher de meia-idade corpulenta. Sem sequer levantar o rosto, deslizava os dedos pelo celular enquanto, com a outra mão, buscava batatas fritas num pacote, deixando manchas de gordura por toda parte.

Yu Zhe franziu o cenho e, desviando cuidadosamente das peças expostas, aproximou-se do balcão, curvando-se levemente ao perguntar:

“Senhora Tao?”

A mulher ergueu a cabeça, surpresa. Olhou Yu Zhe de cima a baixo, pensativa, e também franziu a testa.

“Como veio parar aqui? Foi porque não conseguiu mais serviço com Lu Ren, ou bateu as asas e quis mudar de ramo?”

“Ele está morto”, disse Yu Zhe, em tom frio. Mal podia acreditar: encontrara o endereço certo de primeira, o que lhe poupava enormes dificuldades. Subitamente, lembrou-se de outro ponto e acrescentou: “A senhora… sabe quem sou?”

“O matador que trabalhava para Lu Ren… Na verdade, vocês já se tornaram conhecidos no meio. Qualquer contato com alguma experiência já ouviu falar de vocês.”

“O que quer dizer com isso?”

“O que eu disse: vocês ficaram famosos.” Senhora Tao encheu a boca com mais batatas, explicando entre mastigadas: “Aquele homem não sabia guardar segredo; mesmo quando havia vazamento, não tomava providências. Para falar a verdade, não me surpreende sua morte.”

“Sabe quem o matou?”

“Isso não sei. Muita gente queria vê-lo morto. Veja só: você me encontrou graças a informações vazadas por ele. Isso já prova que, em algum ponto, ele deixou escapar algo sobre mim. Pela regra, se ele não tivesse morrido agora, amanhã poderia ser morto pelos meus próprios homens. Entende?”

Yu Zhe assentiu, e Senhora Tao continuou:

“De qualquer modo, agora que seu contato morreu, devia aproveitar e se aposentar. Por que procurar outro? É pura tolice. Mas, diga, quando ele morreu? Como descobriu?”

“Anteontem, concluí um serviço no Distrito Nove. Lu Ren pediu para que eu fosse hoje, às três, buscar o pagamento. Quando cheguei, ele já estava morto.”

“Ah, o serviço do Distrito Nove anteontem…” Os olhos de Senhora Tao brilharam de astúcia; ela riu baixinho, tamborilou as unhas compridas no vidro do balcão e murmurou: “Lu Ren aceitava qualquer coisa… Não é de admirar…”

“O que disse?” Yu Zhe não captou as palavras sussurradas.

“Não se preocupe.” O rosto de Senhora Tao se transfigurou num sorriso radiante, em um instante trocando de atitude. “Um momento, por favor.”

Ela levantou-se, entrou por uma porta atrás do balcão e demorou a voltar, trazendo duas águas em copos descartáveis.

“Então, diga: o que pretende ao vir até mim?” Ofereceu-lhe um copo, mas Yu Zhe não o aceitou. Sem insistir, ela depositou a água sobre o balcão.

“Quero continuar no ramo… aqui, com a senhora…” Yu Zhe adotou agora um tom respeitoso, testando com cautela.

“Não, não, aqui não aceito mais ninguém.” Antes que Yu Zhe pudesse concluir, Senhora Tao recusou prontamente. “Tenho contatos demais; hoje em dia, ser contato é até mais difícil que ser matador—paga pouco, o risco é alto. Se pudesse me livrar disso, já teria largado.”

“Preciso deste trabalho.”

“Fala como se fosse simples. Se fosse uma atividade legal, até aceitaria você.” Deu de ombros, resignada. “Mas, você sabe… nesse ramo, cada novo matador aumenta muito o risco para o contato. Não posso explicar em detalhes, mas entenda isso.”

“E não poderia me indicar a outro contato?” Yu Zhe não compreendia. Para ele, o trabalho de contato sempre parecera fácil—nada de “trabalho sujo”, só falar e abocanhar boa parte da recompensa. Agora, Senhora Tao dizia que ganhava pouco e corria grandes perigos, o que lhe parecia absurdo.

“Diga-me, afinal, o que tanto o atrai nesse ofício? Tamanha obstinação!” Senhora Tao irritou-se, mas logo suavizou a voz. “Hoje em dia, poucos se dispõem a ser contato, enquanto há cada vez mais matadores. Assim, um contato chega a trabalhar com sete ou oito matadores ao mesmo tempo. Não é questão de querer, é que não dá mesmo para assumir mais.”

“Por favor, tente me ajudar…”

“Ah, você não ouviu uma só palavra do que falei…” Senhora Tao suspirou, aborrecida. Bebeu um gole d’água e prosseguiu: “Na verdade, conheço um contato, mas ele trabalha só com um matador. Vinte anos assim. Posso tentar marcar um encontro para vocês, mas não posso garantir que ele vá aceitá-lo.”

“Vinte anos?”

“Parece incrível, não? No nosso meio, especula-se que o matador já tenha mudado várias vezes—cinco, seis, quem sabe?—mas ninguém tem provas. O segredo entre eles é absoluto; ninguém, até hoje, sabe quem é o matador. Não é como Lu Ren…”

“Quando posso encontrá-lo?”

“Amanhã, às cinco da tarde. Venha aqui. Mas esteja preparado para ser recusado—sua chance é mínima.”

“Entendido. Muito obrigado.” Sem rodeios, Yu Zhe fez uma leve reverência de agradecimento e saiu imediatamente.

Depois que ele se afastou, Senhora Tao suspirou baixinho: “Que pena… é tão jovem ainda.”

“Quem entra nesse meio não merece pena.” A voz veio da porta atrás dela, e logo um homem alto e corpulento surgiu. “Não imaginei que ia presenciar cena tão interessante ao vir buscar um serviço. Mas diga, de que pena está falando?”

“Não pergunte o que não deve saber! Você já recebeu o adiantamento, conhece o alvo, trate de ir logo.”

“Quanta frieza!” O homem arqueou as sobrancelhas e continuou: “Ainda agora você me chamou aqui, pediu que ouvisse seu sinal, e, se fosse o caso, matasse o rapaz. Agora que resolveu o problema, finge que não me conhece.”

“Ah, você viu como ele era impulsivo—quem garante que não faria alguma besteira? Tive de garantir minha segurança.” Senhora Tao revirou os olhos e riu, gélida. “Você é caro demais para mim. Além disso, há quem queira vê-lo morto mais do que eu; não preciso me antecipar.”

“E ainda assim você o indicou a outro contato? Não tem mais o que fazer?”

“Você não entende…” Senhora Tao sorriu, num murmúrio. “Considere um favor meu. Mas, se o outro não quiser ajudá-lo, não é problema meu. Aposto que, se for recusado, em menos de três dias estará morto numa sarjeta.”