004 Na próxima vez, conduzirei com câmbio manual.
【Dinheiro serve para ser exibido às mulheres, não para que elas o gastem; dar dinheiro para uma mulher gastar é condenar-se à má sorte por toda a vida.】
“Cale-se, inútil, você não entende nada. Essa frase é destinada aos rapazes honestos, não se aplica a todos.”
“Quem não sacrifica o filho não captura o lobo; sem o investimento inicial da semente, como colher mil sacas de trigo?”
A noite estava plena, a lua brilhava no céu.
Ao sair da churrascaria, enquanto caminhava pelas ruas, Akira respondia com sarcasmo ao sistema que não parava de reclamar porque ele havia pago a conta do jantar, e ao mesmo tempo trocava mensagens com Aoi Tenkawa pelo LINE.
Apesar de os dez mil ienes gastos no churrasco terem doído no bolso de Akira, ele considerava que valera a pena.
[Girassol: Akira-kun, vou transferir metade do valor do jantar para você. Vamos dividir a conta, sinto muito ter feito você gastar tanto logo no nosso primeiro encontro.]
[Akira: Recusado!]
[Girassol: Hein, por quê?]
[Akira: Somos namorados, por que dividir tudo assim?]
[Girassol: Mas acho que não é certo, aceite o dinheiro.]
[Akira: Não vai acontecer. Somos amantes, não há distinção entre nós. Se você realmente sente que me deve algo, da próxima vez você paga. Combinado.]
[Akira: Aliás, Aoi, hoje você não me chamou de marido. Ontem, durante a conversa, você não parava de me chamar assim, lembra?]
Ao subir no histórico, Akira revê as mensagens trocadas com Aoi Tenkawa após confirmarem o relacionamento, repletas de insinuações e palavras ambíguas.
“Beijinho, marido.”
“Marido, estou morrendo de saudade.”
“Querido marido, dê um beijo de bom dia para sua esposa.”
Essas eram as mensagens mais contidas; havia outras ainda mais atrevidas, que Akira jamais poderia mencionar em público.
Talvez por terem se encontrado pessoalmente, Aoi Tenkawa ainda estivesse envolta na timidez do mundo real, demorando um pouco mais para responder desta vez.
[Girassol: Estou quase em casa. Quando sair do carro, vou me preparar para lavar o rosto e dormir. Da próxima vez, eu pago. Marido, não se atreva a pagar antes de mim, ok? Boa noite~!]
[Akira: Boa noite, Aoi-chan.]
Vai se preparar para dormir?
Ah, mulheres!
Akira não acreditava em uma palavra sequer. Como namorado profissional de relacionamentos virtuais, ele, naturalmente, buscava conhecer ao máximo sua parceira pela internet.
Só conhecendo a si e ao outro, pode-se vencer cem batalhas.
Troca de perfil.
Entra no grupo.
Como mestre do bate-papo online, não há nada de errado em ter vários perfis, e um deles estar no grupo de fãs da namorada também não é problema.
Tenkawa Aoi, sob o pseudônimo Girassol, escreve romances leves voltados ao público feminino, com ampla aceitação — do mais idoso ao mais jovem, senhoras aposentadas e meninas do primário se divertem no grupo de fãs.
O perfil alternativo de Akira se apresenta como uma mulher independente vivendo em Tóquio, uma das leitoras que mais admira a autora Girassol.
Uma fã fervorosa!
Assim que entrou no grupo, Akira chamou Aoi: [Aoi-nee, você disse que hoje ia encontrar seu namorado virtual, como foi? Ele é um nerd gordo ou um tiozão oleoso?]
Segundo os estudos de Akira sobre Aoi nos últimos meses, ela, rainha do bate-papo, certamente estaria de olho no grupo nesse horário.
E de fato, menos de trinta segundos após Akira mandar a mensagem, Aoi respondeu.
[Girassol: Não, ele parece bem jovem, um rapaz bem bonito.]
[Rapaz jovem?] Akira continuou: [Se for muito novo, Aoi-nee vai deixá-lo tão encabulado que nem conseguirá falar.]
Imediatamente, outros fãs entraram na conversa.
[Aposto que Aoi-nee já levou o rapaz para passar a noite.]
[De jeito nenhum, Aoi-nee não é desse tipo. O mais provável seria partir logo para algo mais ousado, esse é o estilo dela.]
[Será que já começaram no banheiro do restaurante?]
Para conter os rumores, Aoi respondeu rapidamente, mas o que ela relatou divergia um pouco da memória de Akira.
[Girassol: Não exagerem, não foi tão rápido assim. Meu namorado é muito tímido, só dei um abraço na cintura dele e ele já ficou sem jeito e soltou um gemido.]
[Girassol: Com aquele rosto todo envergonhado, como eu poderia ir além?]
[Girassol: No fim, fiquei com pena dele, receando que não suportasse um ritmo tão intenso. Só acariciei e abracei antes de deixá-lo ir.]
Após enviar várias mensagens distorcendo os fatos ao grupo, Aoi, corada e de coração acelerado, guardou o celular, pegou a chave e abriu a porta de casa.
O que lhe apareceu foi um lar razoavelmente espaçoso, e seu filho, Tetsuya Tenkawa, de cabelos tingidos de loiro, sentado no chão jogando videogame.
“Mãe, onde você esteve? Por que chegou tão tarde?” Tetsuya perguntou, intrigado.
“Às vezes, a mamãe também quer sair para comer algo bom.”
Aoi respondeu, correndo para o quarto, deixando Tetsuya ainda mais curioso na sala.
Normalmente, sua mãe mal saía do quarto, quanto menos de casa. Hoje, ele já havia voltado de um encontro, jogado videogame por horas, e só agora ela chegava.
Era como se o sol tivesse nascido no oeste.
Algo muito estranho!
Talvez por não ter acendido as luzes, Tetsuya não percebeu o rosto ruborizado da mãe, nem seus olhos sedutores enquanto respondia aos fãs pelo celular.
“Ah, baka, morri de novo. Por que as coisas estão tão difíceis hoje?”
“E a Yukika também: com a minha presença, ainda fica demonstrando simpatia por aquele Akira, tão solitário, irritante demais!”
“Não pode ser.”
“Tenho que arranjar um jeito de dar uma lição em Akira, senão essa raiva vai me sufocar.”
Depois de beber um grande gole de cola, Tetsuya, frustrado, desligou o videogame e foi para o próprio quarto.
Tetsuya nunca teve muitos escrúpulos.
Sua filosofia: já que a mãe é uma escritora famosa, com muitos direitos de obras adaptadas para anime e dramas, se arrumar problemas, basta esperar ela resolver com dinheiro, como sempre fez.
O que Tetsuya não sabia era que sua mãe, a escritora que ele julgava onipotente, naquele momento conversava com o perfil alternativo do rapaz que ele queria punir.
[Girassol: Já combinei outro encontro com meu namorado, da próxima vez vou beijar tanto que sua boca ficará em carne viva.]
“Vai beijar minha boca até sangrar?”
Akira murmurou, um sorriso escondido na voz.
Está provado: quando uma mulher conversa sobre temas picantes em particular, não perde em nada para os homens, talvez até supere.
Especialmente Aoi Tenkawa, cuja persona diante dos fãs era extremamente desinibida, quase uma rainha das estradas proibidas.
Por isso, durante o jantar na churrascaria, Akira chegou a duvidar se aquela dama elegante e tímida à sua frente era mesmo sua namorada Girassol.
A noite aprofundava-se.
Após mais uma longa caminhada, Akira finalmente retornou ao seu apertado apartamento de menos de dez metros quadrados.
O quarto era miserável, mal ventilado, sem sequer uma janela — segundo o proprietário, era um antigo depósito convertido.
Naturalmente, Akira não tinha do que reclamar.
Era um órfão, sem pai nem mãe, estudando e trabalhando ao mesmo tempo, e conseguir sobreviver em Tóquio, onde cada centímetro custa caro, já era um feito, ainda mais tendo um quartinho só para si.
“Agora que tenho algum dinheiro, amanhã vou conversar com o proprietário sobre trocar de quarto. Este aqui é tão escuro que pode enlouquecer alguém.”
Higiene concluída.
Sob as cobertas, pronto para dormir, a última coisa que Akira fez foi ler o novo capítulo do romance da namorada, Aoi Tenkawa.
Conhecer sua amada de todos os ângulos — como namorado, fã, e leitor.
E então, Akira percebeu que Aoi só havia atualizado duas mil palavras hoje. Por esse tipo de preguiça, Akira era sempre rigoroso.
Imediatamente, usou o perfil alternativo para criticar Aoi no grupo de fãs.
“Por que tão pouca atualização hoje?”
“Trate de escrever logo, ou não quer meu super voto mensal?”
“Vou encher sua história de moedas de leitura!”
“Da primeira à última página, até gastar tudo.”
··········
PS: Hoje enviei com antecedência para avisar que, daqui para frente, os capítulos serão publicados pontualmente às sete da noite, todos os dias.