006 A desatenta senhora proprietária

Bertemu secara nyata, lalu ibu salah satu teman sekelas pun datang. Melihat bulan tenggelam 2545kata 2026-03-13 14:43:16

Porque é verão.
O sol brilha com um fulgor especialmente ofuscante, e, enquanto a senhora Kasuga, a proprietária, limpava os vidros no terceiro andar, seu pijama balançava suavemente para cima e para baixo a cada movimento do pano.
A cintura era fina e alva como a neve, a pele, lisa e delicada, e as curvas generosas insinuavam-se sob a luz, ora ocultas, ora reveladas.
Mirai observava Kasuga Yuki, e foi justamente nesse instante que o olhar de Yuki, mais uma vez, recaiu, de soslaio, sobre Mirai, que acabara de voltar do exercício matinal.
Os olhares se cruzaram no ar; Kasuga Yuki não esperava que Mirai também a estivesse fitando—sentiu, de súbito, que todo o seu corpo queimava sob aquele olhar do belo jovem empobrecido.
‘Será que fui pega espiando?’
‘Eu, a proprietária, espiando um inquilino... Se descobrirem, que vergonha!’
‘Mantenha a calma, basta agir como se nada tivesse acontecido.’
Enquanto Kasuga Yuki se perdia em devaneios, Mirai também a observava com ainda mais atenção e minúcia.
A proporção exagerada entre a cintura e os quadris, o short de dormir curto estufado pelas formas firmes, e aquelas pernas alvas e fartas, longas e carnudas, verdadeiros cálices tentadores ao olhar, despertavam desejos e apetites.
[Ex-marido?]
[Nunca imaginei que o senhor Kasuga e a voluptuosa senhora Kasuga já tivessem se divorciado...] O olhar de Mirai tornava-se cada vez mais sombrio, e, em seu íntimo, germinava uma ideia audaciosa: se pudesse carregar aquelas pernas sobre os ombros, mesmo que lhe custasse a vida, valeria a pena.
Chega de pensamentos lascivos—não há mulher alguma neste mundo por quem eu deva morrer.
Morrer por uma mulher é coisa de tolo.
— Ei! Para onde você está olhando? Está me menosprezando? Acredita mesmo que não vou aumentar seu aluguel para trinta mil ienes, seu idiota? —
A voz ríspida do senhor Kasuga, o senhorio, trouxe Mirai de volta à realidade; seu olhar se desviou da bela proprietária para recair sobre o senhorio, gorduroso e desagradável.
— Isso talvez não seja necessário, senhor Kasuga.
— Como assim, não é necessário? A partir de agora, seu aluguel é de trinta mil ienes por mês. Se não quiser morar aqui, pode se mudar quando quiser!
Com aquelas palavras cruéis, até mesmo o inquilino que há pouco fora obrigado a pagar uma taxa de desgaste do imóvel olhou para Mirai com compaixão, mas não se dispôs a defendê-lo.
Compaixão é uma coisa; solidariedade, outra. Antes ele sofrer com alguém do que sofrer sozinho nas mãos do senhorio.
O silêncio dos demais inquilinos fez Mirai desistir, sem peso na consciência, da ideia de ajudá-los.
A bondade deve ser dirigida a quem a merece.
Após refletir por um instante, Mirai respondeu:
— Recuso. Não quero mais morar no quartinho de despejo. Lá nunca bate sol; se continuar ali, sinto que vou me tornar um homem sombrio.
O senhor Kasuga ficou atônito por alguns segundos e, então, apressou-se em perguntar:
— Encontrou outro lugar para morar?

O quarto de Mirai era pequeno, estreito e sem luz; só um tolo se sujeitaria àquilo. Se Mirai se fosse, certamente o cômodo ficaria ocioso.
Pensar na perda de vários milhares de ienes mensais apertava-lhe o coração.
Movido por sua mesquinhez, Kasuga logo engendrou um plano: cobraria de Mirai taxas exorbitantes de depreciação, arrancando-lhe até o último centavo do aluguel.
Sem dinheiro para alugar outro imóvel, não lhe restaria alternativa senão ficar.
Mas, para surpresa de Kasuga, Mirai balançou a cabeça e sorriu:
— Senhor Kasuga, acho que houve um engano. O que quero dizer é que, recentemente, ganhei algum dinheiro com trabalhos temporários e desejo mudar para um quarto mais claro, não que pretenda rescindir o contrato.
Ao ouvir isso, Kasuga suspirou aliviado; afinal, como um órfão pobre como Mirai conseguiria arcar com outro lugar?
Em toda Tóquio, encontrar um quarto mais barato que o depósito de sua casa não era fácil.
— Fique quieto e continue morando no depósito por trinta mil ienes. Os outros quartos custam oitenta mil ienes por mês. Com esse trocado que você ganhou, acha mesmo que pode pagar?
— Posso, sim.
— O quê? — Kasuga ficou paralisado, e, vendo o semblante sério de Mirai, percebeu que não se tratava de brincadeira.
— Muito bem, vá direto falar com minha esposa, pague a ela, e peça que lhe arrume um quarto. Tenho alguns assuntos para resolver e mais tarde lhe trago o contrato.
Se Mirai queria mesmo morar ali, que fosse por um mês.
Ganhou algum dinheirinho?
Pois veremos quanto tempo dura. Falou apenas do valor do aluguel, mas não mencionou quanto cobraria de água e luz, nem as taxas extras de limpeza e administração dos quartos melhores.
Não tendo especificado nada, poderia inventar qualquer encargo.
Kasuga realmente acreditava que podia manipular Mirai, aquele estudante pobre, a seu bel-prazer; acenou com a mão e voltou a discutir com o inquilino que pretendia sair.
Mirai não se deu ao trabalho de ouvir a discussão. Ergueu os olhos: o quarto da senhora Kasuga já estava com as cortinas fechadas.
Obedecendo às instruções do senhorio, foi procurá-la.
A casa dos Kasuga era um tríplex; em cada andar, havia seis quartos, uma cozinha e um banheiro. Os dois primeiros andares, mais distantes dos proprietários, estavam totalmente ocupados; restavam quatro quartos vagos no terceiro, onde moravam apenas Kasuga e sua esposa.
Pelo que Mirai observara, não havia outra pessoa naquelas dependências; o casal vivia em quartos separados.
Assim, cada um ocupava um cômodo.
No terceiro andar, Mirai ainda pensava em outras coisas quando, sem hesitar, empurrou a porta do quarto onde a senhora Kasuga estivera momentos antes.

E então...
Deparou-se com uma cena que o fez engolir em seco.
A brisa suave esvoaçava as cortinas de gaze branca; o sol, filtrando-se por entre as tramas, lançava sobre Kasuga Yuki uma luz quase sacra.
A bela mulher, de olhos úmidos e expressão perdida, jazia sobre a cama, bebendo grandes goles de ar quente, a respiração apressada como uma melodia eletrizante.
E, ao ouvir os murmúrios que escapavam dos lábios entreabertos daquela jovem senhora, Mirai sentiu o rosto corar, o coração disparar, a mente, por um instante, em transe.
— Mirai-kun...
— Shin...
— Mirai... Mirai...
Jamais imaginaria presenciar, sem pagar, um espetáculo reservado a poucos; Mirai, ruborizado, engoliu a saliva e pensou em deixar o quarto, concedendo à distraída proprietária a privacidade que lhe era devida.
Mas, para seu azar, mal lhe surgiu tal intenção, Kasuga Yuki, agora de respiração mais calma, abriu os olhos.
— Mirai... Shin...
De súbito, os olhares de ambos se encontraram.
No segundo seguinte, o rosto delicado e oval da bela e distraída senhora Kasuga tingiu-se de um rubor perceptível até a olho nu.
Mirai...
Realmente estava ali.
Justo quando ela, entre suspiros, chamava seu nome.
[Meus caros, quem pode entender? Digo e repito: será que este mundo poderia ser um pouco menos cruel com os rapazes?]
[Mirai foi assediado. A senhora Kasuga Yuki fantasiou com Mirai de uma forma repugnante. Quem diria que até para alugar um quarto aconteceria algo assim? Mais um dia para temer as mulheres.]
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Agradeço ao belo pelas recomendações, ao charmoso pelos votos, aos grandes benfeitores pelas recompensas.
Vocês sempre serão os mais admiráveis em meu coração!