Capítulo Cinco: O Nome do Bando de Piratas
Mal a aurora começava a tingir o céu, e já reinava o tumulto na base da Marinha de Loguetown.
Diante da cela outrora ocupada por Roger, agora vazia como se nunca contivesse alma viva, o major da Marinha, Dalle, fitava o vazio, atônito.
Após alguns segundos, virou-se com furor, bradando:
— Quem estava de plantão na prisão ontem à noite? Estavam todos cegos? Um prisioneiro de suma importância escapa e ninguém percebe?!
Os marinheiros que patrulharam na véspera baixaram a cabeça, envergonhados, incapazes de responder.
Um recruta, porém, não conteve o ímpeto e murmurou:
— Major, ontem aconteceu algo sinistro... Por ser um prisioneiro importante, e ainda acompanhado de um comparsa, reforçamos as rondas. Em tese, não deveria haver falhas. Mas o prisioneiro parecia enxergar nossos passos; esgueirou-se precisamente entre as brechas das duas patrulhas e conseguiu escapar. Suspeito que ele seja um pirata — e dos mais hábeis!
— Está insinuando que aquele prisioneiro domina o Haki? Que consegue sentir adversários ao redor? — O olhar do major crispou-se.
— Isso, isso mesmo! Haki! Não dizem que na Grand Line muitos piratas são mestres nisso? — O marinheiro animou-se, cheio de convicção.
O major, sem titubear, lançou-lhe um jato de desdém:
— Asneira! Haki, ora! Se ele fosse um pirata da Grand Line com domínio de Haki, teria uma recompensa de pelo menos dez milhões! E acha que conseguiríamos capturá-lo? Imbecil! — E, agitando o braço com irascível impaciência, ordenou:
— Chega de delírios! Todos, reúnam-se imediatamente! Bloqueiem toda Loguetown, não permitam que o prisioneiro fuja!
— Sim, senhor! — Responderam os marinheiros em uníssono.
Nesse instante, um marinheiro adentrou às pressas, suando e visivelmente alarmado, apontando para trás.
— Ma-major!
— O que foi? — O major enrugou o cenho, irritado com tanta falta de compostura entre os subordinados. Nada lhe parecia mais deselegante.
— Encontramos os prisioneiros! O que fugiu ontem à noite e também o seu cúmplice — ambos localizados!
— O quê?! — Os olhos do major brilharam, eufórico, voltando-se para os outros:
— Viram? Isto é competência! Uns conseguem encontrar prisioneiros, outros nem guardá-los conseguem! Eis a diferença entre senso de responsabilidade e servilismo! Vocês nunca pensam na honra do uniforme que vestem, ou no soldo que recebem!
Aproximou-se então do marinheiro recém-chegado, sorrindo satisfeito:
— Fale, onde estão os prisioneiros?
O soldado, constrangido diante do entusiasmo do major, pigarreou e murmurou:
— Eles estavam escondidos em nosso barco de patrulha. Hoje cedo, quando íamos embarcar para a ronda, assim que zarpamos, saíram do porão, nos arremessaram ao mar e fugiram com o navio...
O major ficou em silêncio.
Ao ver seus subordinados contendo o riso, rubros de tanto se segurar, quase desmaiou de raiva diante de tão rápida reviravolta.
— Inúteis! — Tomado de furor e vergonha, desferiu um pontapé no mensageiro, lançando-o porta afora. Fitou os demais com olhos chamejantes:
— O que estão esperando? Não ouviram? Os prisioneiros escaparam para o mar! Vão persegui-los, agora! Preciso desenhar a ordem?
Os marinheiros, alarmados, precipitaram-se em debandada.
No mar, uma escuna de dois mastros, com mais de dez metros de comprimento, erguia altiva sua proa, fendendo as ondas, avançando alegremente entre espumas brancas e águas partidas.
Roger postava-se à popa, ambas as mãos firmes no leme, e bradou ao vento, exultante:
— Mundo, Roger chegou! Hahahahaha!
No costado, Du Hang largou o cachimbo, exalando uma fumarada. Fitando o mar grandioso e revolto, desfrutava, raro, de um espírito leve e jubiloso:
— E Du Hang também chegou!
Roger olhou surpreso para Du Hang:
— Não imaginei que também soubesse gritar desse jeito. Pensei que só sabia sorrir de canto e traçar planos.
— Traçar planos? — Du Hang meneou a cabeça. — Eu? Nunca! O senhor Zhang, meu vizinho do andar de baixo, sempre diz que minha cabeça não serve para isso. Com o jeito que sou, já é muito não ser passado para trás pelos outros!
— Heh. — Roger limitou-se a soltar um riso breve, sem continuar a provocá-lo.
Apesar de Du Hang ser um tanto trapaceiro — e inclusive tê-lo levado à prisão da Marinha —, Roger não lhe guardava rancor. Achava, até, que Du Hang não era má pessoa. Se não voltasse a lhe pregar peças, seria até agradável navegar ao seu lado.
— Ei, Du Hang! — Roger sorriu largo.
— Que foi?
— Agora que somos piratas, precisamos de um nome de grupo, e de uma bandeira. Que tal? Como devíamos chamar nosso bando?
Du Hang arqueou as sobrancelhas, surpreso com a pergunta. No original, o nome era Roger Pirates — simples, claro, direto, um tanto narcisista, mas, aceitando o conceito, bastava.
— Você que escolha — respondeu displicente. — Não me oponho.
Roger, com uma mão no leme e a outra a coçar o queixo, anunciou em alto tom:
— Claro que serei o capitão! O nome do bando tem que ter o meu nome! Du Hang, como você está comigo, será o imediato! Vamos chamar de Bando dos RoDu Piratas!
— Hã?! — Du Hang ficou realmente surpreso. O cachimbo quase lhe escapou dos lábios. Olhou para Roger, estupefato: não esperava que seu nome entrasse no título do bando. No original, nunca se chamou Bando dos RoLei Piratas!
Meio divertido, meio constrangido, Du Hang acenou:
— Agradeço a intenção, mas não gosto de ver meu nome tão exposto. Melhor manter simples: Bando dos Piratas Roger, está decidido.
Roger não concordou:
— De jeito nenhum! Somos parceiros, então o nome deve incluir nós dois. Mas, pensando bem, tem razão: Roger é nome, Du é sobrenome, não combina. Melhor: Bando dos Piratas Rohang! Está decidido! Hahahaha!
Vendo Roger animar-se cada vez mais, Du Hang saltou do costado, braços cruzados em X sobre o peito:
— Recuso! Esse nome é ridículo! Vai ser Bando dos Piratas Roger, ponto final!
Não era preciosismo, nem medo de alterar a história — esse tipo de razão estúpida não lhe passava pela cabeça. O verdadeiro motivo era outro: o nome soava terrível demais...
— Ora, por quê? — Roger se mostrou contrariado, mas, ao ver a firmeza de Du Hang, deixou o assunto de lado após breve birra.
Observando Roger assobiar alegremente ao leme, Du Hang não conteve um sorriso. Jamais imaginara que, ao tomar o mar com Roger por um ato impensado, quase provocaria tamanha reviravolta — o que o fez refletir, pensativo.
Nesse momento, soou a voz da inteligência artificial:
[Detectada aproximação da frota da Marinha. Favor preparar-se para responder.]
— Olha só, reação rápida. Muito bem, isso vai ser divertido.
Tirando o cachimbo dos lábios, Du Hang contemplou o mar aberto, com um sorriso crescente no canto da boca.