Capítulo Dois: O Amor Materno

Selir yang Terabaikan Bayangan Meninggalkan Aroma 2212kata 2026-03-11 14:45:11

Vendo que ela permanecia em silêncio por tanto tempo, Ying’er, tomada de crescente preocupação, ousou aproximar-se e indagou, em voz baixa: “Senhora, o que aconteceu? Sente-se mal? Quer que eu vá chamar o médico?”

Pei Xiner ergueu o rosto; parecia transformada, como se, iluminada pela compreensão, houvesse renascido em outro ser. Em seus olhos fulgurava uma luz inteiramente distinta da de outrora; todo o seu semblante transbordava um novo vigor, de modo que quem a visse sentia o peito se abrir, tomado de renovada esperança.

Ia ela pronunciar alguma palavra, quando se ouviu, do lado de fora, um tumulto de vozes, e a conhecida voz de uma mulher soou aflita: “Lingjie, Lingjie, vá devagar! Sua senhora, tomada de tristeza ontem, tomou remédio e está dormindo agora; não vá acordá-la!”

Seu ânimo se acendeu de imediato, mais intenso do que antes, e nos olhos bailava um júbilo irreprimível, mesclado de ansiosa expectativa. Repetiu, com voz trêmula: “É a Lingjie? Deixem-na entrar, depressa!”

Mal as palavras haviam sido ditas, uma pequena figura irrompeu pela soleira, tropeçando até atirar-se à beira de seu leito. Apresada, Pei Xiner envolveu a menina nos braços, sem se importar com as roupas ou os sapatinhos ainda calçados, estreitando-a com tamanha força que parecia jamais querer soltá-la.

Sua filha! Sua mais preciosa filha! O único ser, neste mundo vasto, que compartilhava de seu sangue! Aquela que, por direito, deveria ser o tesouro mais caro de seu coração. Mas, na vida anterior, havia-se deixado cegar por paixões vãs, consumindo-se numa afeição sem esperança, desperdiçando o que era digno de desprezo, e relegando ao esquecimento justamente quem mais precisava de sua proteção e carinho. Quando afinal despertou para o verdadeiro valor das coisas, desejando acalentar o que deveria sempre ter acalentado, já era tarde demais!

Contudo, os céus, benevolentes, concederam-lhe uma segunda oportunidade. Desta vez, haveria de criar a filha com todo zelo, proporcionando-lhe uma vida plena de ventura e alegria, em vez de submetê-la ao sofrimento ao lado de uma mãe obstinada e insensata.

A filha, sua filha...

O nariz ardeu-lhe, e as lágrimas, teimosas, encheram-lhe os olhos, rolando silenciosas até pousarem, frias, no rosto da menina aninhada em seu colo.

“Mamãe, o que houve? Está triste porque o vovô morreu? Não tenha medo, eu, Lingjie, estou aqui com a mamãe. Não chore!” – a vozinha, doce e redonda, repetia “mamãe” sem cessar, tocando-lhe o âmago do coração, fazendo-o desmanchar-se em ternura, num desejo quase insuportável de absorver a filha para dentro de si, para que jamais se separassem.

Entre soluços, afagou-lhe as costas, embalada de um amor sem fim: “Minha Lingjie, que menina boa! Mamãe não está mais triste. Daqui em diante, estaremos sempre juntas, nunca mais separadas, está bem?”

Lingjie ficou atônita por um instante, mas logo, exultante, acenou energicamente com a cabeça, aconchegando-se ainda mais no abraço materno, experimentando, talvez pela primeira vez, o calor da verdadeira afeição. Antes, embora a mãe lhe fosse afável, seu afeto parecia sempre emprestado, repartido de outra fonte, e não raro era esquecida. Amava tanto aquela mãe, ansiava tanto por estar sempre a seu lado, mas a mãe vivia ocupada, sem tempo a lhe dedicar. Dizia-lhe que era uma criança comportada, que deveria ficar quieta para não causar incômodos. Mas isso a fazia sentir-se tão só, desejando gritar que não era assim tão boazinha, só para ver se, talvez, a mãe lhe desse um pouco mais de atenção, falasse um pouco mais consigo.

Mas agora tudo havia mudado. A mãe prometera estar para sempre ao seu lado! Que felicidade! Queria estar a cada instante com ela, ser envolvida em seus braços...

O abraço da mãe era tão perfumado, tão aquecido...

“Senhora, vossa saúde apenas começa a se restabelecer, e Lingjie ainda está de roupas de sair. Melhor deixá-la descer um pouco.” A voz da mulher ao lado dizia, enquanto se preparava para tomar a menina nos braços.

Mas Pei Xiner apertou-a ainda mais, desviando-se delicadamente da mão da outra, e replicou com serenidade: “Não faz mal, quero tê-la junto de mim.”

Lingjie, sentindo-se tão próxima da mãe pela primeira vez, resistiu a separar-se, fazendo beicinho e aninhando-se ainda mais.

A mulher, sem alternativa, recuou, mas não pôde deixar de advertir, preocupada: “Senhora, sei que ama Lingjie, mas agora o momento é outro. Com a partida do velho senhor, não convém mais que ela a chame de ‘mamãe’ em público. Isso fere as convenções e pode dar margem para a senhora principal encontrar motivo para repreendê-la. Em diante, melhor que Lingjie a trate por ‘tia’.”

Pei Xiner não conteve uma ruga de desagrado, sentindo repulsa àquela sugestão.

Se havia algo de que jamais se arrependera em sua vida passada, era de ter insistido que Lingjie a chamasse de “mamãe”. Sua filha, seu tesouro, não permitiria que chamasse outra mulher assim – menos ainda aquela mulher de coração cruel! Ninguém mais precisava ocupar o lugar de mãe; ela mesma criaria sua filha.

Ainda assim, reconhecia a boa intenção nas palavras da mulher. Pela ordem social, era apenas uma concubina; mesmo gerando uma filha, não poderia ser chamada de “mamãe”. Tal era o costume. Antes, sob a proteção do velho senhor, podia abertamente permitir que Lingjie a chamasse assim; mas agora, com sua partida, tudo estava de pernas para o ar, e insistir nisso seria repetir os erros da vida anterior.

Era algo que requeria ponderação.

Após breve silêncio, respondeu suavemente: “Ruiniang, entendi. Já tenho planos quanto a isso, não se preocupe. O velho senhor mal partiu e a casa será tomada pela desordem. Não se ocupe de mais nada; cuide apenas de Lingjie. Se ela estiver bem e em segurança, grande será minha recompensa. Entendeu?”

Ruiniang, a ama de leite de Lingjie, ficou momentaneamente surpresa, mas logo recompôs-se e respondeu, inclinando-se: “Entendido, senhora. Pode confiar!”

Era impossível não se admirar. Após tantos anos a seu serviço, sempre vira sua senhora como uma mulher obstinada. Desde que se casara, toda sua afeição voltara-se para o general, relegando a própria filha. Lingjie já contava três anos, mas nunca antes se vira tamanho afeto por parte da mãe. Não era ausência de cuidado, mas toda a energia era devotada ao marido, restando pouco para a filha – tanto que até mesmo ela, uma serva, sentia compaixão pela pequena e sensata senhorita.

Mas o que terá acontecido à senhora hoje? Terá sido a morte do velho senhor que a fez amadurecer de súbito? Não ousava especular, mas se ao menos pudesse dedicar mais atenção à filha e menos a um homem inalcançável, já seria uma bênção, e ela mesma poderia sossegar o coração.

Pensando assim, Ruiniang, que desde o primeiro dia fora escolhida a dedo pelo velho senhor para servir a sua senhora, não conteve um suspiro profundo, silencioso e resignado.