Capítulo Cinco: O Marido
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O corpo pequeno e macio ao seu lado recordava-lhe a existência da filha. Inclinou-se, fitando o rostinho rubro da menina, adormecida num sono doce, e um afeto transbordante, nascido das profundezas do coração, irrompeu, levando-a a pousar um beijo terno na face delicada da filha, apertando-a nos braços e, inebriada pelo aroma de leite que exalava do corpo infantil, voltou a adormecer profundamente.
Quando Zhao Yutang entrou pela porta, a primeira visão que teve foi de dois rostos semelhantes, mãe e filha, dormindo lado a lado, as cabeças quase unidas — um quadro de calor e doçura. Deteve-se, surpreso; na memória, era a primeira vez que testemunhava tal cena.
Ambas, a maior e a menor, sorriam mesmo no sono. O rosto de Pei Xin’er mostrava-se límpido e natural, sem qualquer traço de cosmético, e, ainda assim, parecia-lhe mais aprazível do que em qualquer outro momento anterior.
Permaneceu, então, imóvel à soleira, contemplando em silêncio o repouso das duas, o olhar profundo, perdido em pensamentos insondáveis. Foi quando Ying’er, trazendo uma bacia de água para que mãe e filha se lavassem, entrou apressada, sem esperar deparar-se ali, naquele instante, com o senhor da casa. Por pouco não despejou a água sobre ele, tamanha a surpresa que lhe amoleceu as pernas, saltando de lado num reflexo e exclamando: “General!”
O grito despertou Pei Xin’er, que, piscando os olhos enevoados pelo sono, virou o rosto e, ao reconhecer quem estava à porta, ficou atônita por um bom tempo antes de, subitamente, arregalar os olhos e exclamar: “Senhor!”
Como estava ele ali? Quando chegara? O coração de Pei Xin’er encheu-se de perguntas.
Zhao Yutang arqueou levemente os lábios, adentrando o quarto sem alarde, sentando-se diante do leito. Observou Pei Xin’er espreguiçar-se, erguendo-se vagarosamente para não perturbar a filha. Mas Ling-jie’er dormia nos seus braços; como não se moveria ao menor gesto? Assim foi que, também ela, espreguiçou-se, esfregando os olhinhos, abrindo-os ainda sonolenta, e murmurou, num tom tenro: “Mamãe…”
Ao ouvir aquele chamado, o coração de Pei Xin’er derreteu-se por completo; imediatamente esqueceu o homem diante de si, voltando toda a atenção para a filha, tomando-a nos braços com carinho e perguntando, afetuosa: “Ling-jie’er acordou? Foi mamãe quem te acordou, não foi? Mamãe é que está errada.”
Ling-jie’er, ainda esfregando os olhos, ao perceber-se aninhada no colo da mãe, não conteve a alegria, abraçando-lhe o pescoço com força, repetindo “mamãe” entre dengos e carícias.
Zhao Yutang, esquecido a um canto, viu o brilho nos olhos e sentiu uma estranha novidade. Em sua lembrança, Pei Xin’er fora sempre como um caramelo, grudando-se a ele sempre que podia — o que, embora não o desgostasse, tampouco lhe era de agrado. Parecia-lhe uma jovem imatura, incapaz de crescer; jamais imaginara presenciar nela tal manifestação de instinto materno, o que lhe ampliou os horizontes. Por ora, até o fato de ser posto de lado foi esquecido, e ele observou, com interesse, a brincadeira entre mãe e filha sobre o leito, mantendo-se calado.
Criado sob disciplina rigorosa, de natureza reta e reservada, Zhao Yutang rara vez deixava transparecer emoções. Ainda jovem, já comandava tropas, acostumando-se a dominar soldados rudes pela força do semblante impassível. Assim, mesmo que não estivesse descontente, e até sentisse algum contentamento, seu rosto mantinha-se frio e austero. Ying’er, ainda segurando a bacia, já com o braço dormente, não ousava mover-se. Olhou para a patroa, depois para o senhor, inquieta, até criar coragem para dizer: “Senhora, é melhor levantar-se e pentear-se; o senhor veio visitá-la!”
E pensar que, antes, bastava ouvir “o senhor chegou” para que a patroa se enchesse de entusiasmo, largando tudo para se arrumar e mostrar-se impecável. Hoje, porém, parecia outra pessoa: virou-se apenas de leve, murmurou um “hum” suave, moveu-se, sim, mas mantendo toda a atenção na filha, inclinando-se para embalá-la com voz terna: “Seja boazinha, Ling-jie’er, vamos nos lavar e depois comer, está bem?”
Foi então que Ling-jie’er percebeu a presença do pai, encolhendo-se no colo materno, respondendo com um “hum” quase inaudível, sem ousar encará-lo. Pei Xin’er não pôde conter o espanto: como não notara antes que a filha temia tanto o próprio pai?
Refletiu que, de fato, não dera à menina a devida atenção no passado; não era de surpreender que só agora percebesse tal coisa. Um sentimento de culpa apoderou-se dela, apressando-se a descer do leito com a filha nos braços. Com o auxílio de Ruiniang e Ying’er, lavou o rosto e aplicou uma maquiagem leve. Ying’er quis maquilá-la à moda antiga, mas Pei Xin’er recusou; não queria mais seduzir homem algum — para quem se arrumaria? Achava até que perdia tempo precioso que poderia dedicar à filha.
Enquanto mãe e filha se penteavam, Zhao Yutang permaneceu a um canto, sorvendo chá e observando-as em silêncio. Apenas quando ambas se sentaram a seu lado, já prontas, rompeu o mutismo: “Ouvi dizer que estiveste doente. Estás melhor?”
Ela ergueu levemente as pálpebras para fitá-lo, depois abaixou o olhar, servindo água à filha, respondendo num tom calmo: “Está tudo bem, agradeço a preocupação do general. Já não me sinto mal.”
Zhao Yutang respondeu com um “hum” monótono: “Sei que o velho mestre sempre te teve em grande estima e que o respeitavas profundamente. Agora que se foi, é natural que estejas abalada. Mas a morte é irreversível, e a todos, um dia, toca o mesmo fim. Não há por que te deixares consumir pelo luto. Basta, como descendente, cumprires com zelo teu dever diante do altar, em retribuição a anos de amparo.”
Na casa, todos tinham sangue militar; no campo de batalha, onde a vida é volátil, aprendera desde cedo a encarar com naturalidade a morte.
Pei Xin’er sorriu de leve, sem replicar, e disse: “O senhor tem razão, compreendo. Pode ficar tranquilo, cuidarei bem de mim.”
Era este seu tom habitual; concordava com tudo o que ele dissesse. Mas, por alguma razão, ao ouvir tais palavras hoje, Zhao Yutang sentiu algo fora do lugar, sem saber exatamente o quê, restando-lhe uma ponta de inquietação. Contudo, nunca se permitia preocupar-se com os assuntos femininos; bastou um pensamento fugaz para afastar qualquer incômodo, dizendo apenas: “O velho mestre acumulou méritos em batalha, e mesmo o imperador enviou edito de condolências. Nestes dias, há muitos afazeres na casa; temo que a senhora Feng não dê conta de tudo. Já que te recuperaste, ajuda no que puderes para evitar falhas que possam manchar o nome da família e nos fazer alvo de escárnio.”
Pei Xin’er abriu a boca, prestes a replicar, mas reconsiderou e mudou o tom, respondendo com deferência: “Compreendo, senhor. Pode estar certo de que auxiliarei minha irmã a organizar o luto, e não deixarei que a honra da Casa do General seja maculada.”