Capítulo Quatro: A Extinção da Família Dong

Istana Shura Chen Bei Chen 2458kata 2026-03-11 14:54:50

Salão Asura?

O homem diante deles era, inacreditavelmente, do Salão Asura!

No interior da casa, o cheiro de sangue era sufocante; aquela cabeça erguida fazia com que todos tremessem da cabeça aos pés, e, por um momento, perderam por completo a capacidade de articular qualquer palavra.

Só quando alguém, não se sabe quem, gritou “Assassinaram alguém!”, é que o silêncio mortal foi enfim rompido pelo terror.

O olhar de todos para Qin Feng já não carregava o menor traço de escárnio.

Já havia quem, com as pernas bambas, caísse de joelhos ao chão com um baque surdo.

Zhao Hui, com o rosto marcado pelo medo, ainda insistia em berrar:

— Você matou alguém, matou o nosso velho Dong! Eu vou chamar a polícia! General Jared, vocês...

Jared sorriu de si para si, amargamente. Nessa altura dos acontecimentos, aquela mulher ainda não compreendia em que situação estavam?

Ao ver Zhao Hui, completamente perdida, sacar o celular, a figura de Luo Sha, atrás de Qin Feng, avançou a passos largos e agarrou-lhe a mão, arrancando-lhe um grito lancinante de dor.

— Leve-me até o porão — a paciência de Qin Feng esgotara-se; sua ameaça era fria como o aço. — Caso contrário, tenho inúmeros métodos para fazê-la contar, pouco a pouco, onde fica.

Luo Sha entendeu a intenção e, exibindo um sorriso feroz para Zhao Hui, rosnou:

— Suas mãos estão bem cuidadas. Mas, arrancadas, ainda há quem as aprecie.

Zhao Hui tremia em cada fibra do corpo, cedendo ao medo:

— Não... Eu falo! Eu os levo até lá!

— Então ande logo! — Luo Sha, com brutalidade, empurrava-a adiante; toda a família Dong na sala estava muda, ninguém ousava sequer respirar alto. Muitos sequer sabiam da existência de um porão.

Logo, Zhao Hui conduziu Qin Feng e os demais até o jardim da mansão dos Dong.

Trêmula, apontou para um canto:

— É ali...

Apenas de relance, Qin Feng sentiu as veias da testa latejarem.

Pois ela apontava para um casebre de despejo, ao lado do qual havia uma casinha de cachorro.

Sentindo o cheiro de estranhos, um cão lobo de olhos ferozes saiu do abrigo e, rosnando, lançou-se em latidos furiosos contra Qin Feng e os seus.

Nos olhos de Qin Feng, as sombras se adensaram; desejou, naquele instante, despedaçar aquele cão. Mas, nesse momento, do interior da cabana, ecoaram gritos agudos e insultos.

— Que diabo esse cachorro tá latindo lá fora? Que inferno!

— Hmph! Sua vadiazinha, tua voz parece mesmo a dessa droga de cachorro!

— Meu pai é bom demais pra você, ainda te deu um quartinho. Devia era te pôr pra morar com o cão lá fora!

— Tudo bastarda!

As vozes repugnantes e arrogantes vinham aos trancos e barrancos da cabana, atiçando ao extremo os ânimos de todos lá fora.

Zhao Hui, em pânico:

— Jiao Jiao!

O som no interior cessou abruptamente; logo uma voz infantil, “mamãe”, respondeu.

Qin Feng caminhou em direção ao casebre.

Zhao Hui pareceu compreender, subitamente, o que estava para acontecer, e começou a se debater em desespero:

— Não, ela é só uma criança...

Mas a porta já havia sido arrombada por um violento coice de Qin Feng.

Com um gemido de dor vindo de dentro, Qin Feng viu, enfim, o que se passava.

Uma jovem trajando vestido encontrava-se sentada no chão, caída de susto, encarando a entrada com incredulidade; em seu rosto lia-se claramente o orgulho insolente.

Ao lado dela, uma menina ainda menor, toda coberta de hematomas, quase sem vida.

A cólera contida no peito de Qin Feng irrompeu, incontrolável.

A jovem arrogante, levantando-se furiosa, apontou-lhe o dedo e vociferou:

— Quem é você? Eu sou...

— Foi você quem fez isto? — Qin Feng indagou.

No íntimo, doía-lhe o coração; apressou-se para erguer a menina do chão, ansioso por avaliar seu estado.

Quando, outrora, um exército de oito milhões de inimigos investiu contra ele, nem assim Qin Feng mostrara um traço de ansiedade. Agora, porém, uma centelha de desamparo lhe perpassava a expressão.

— Ei! Qual é o seu problema? Está de olho na minha escrava? — a jovem cheia de si interpôs-se, sorrindo com escárnio. — Mesmo que esteja, não precisava ser tão apressado, não é? Vocês, homens, são todos iguais...

— PAF!

Um tapa ressoou de súbito.

Estonteada, a jovem foi arremessada contra a porta pela força do golpe de Qin Feng.

Por longos instantes ficou sem reação, os olhos marejados de indignação, que logo se converteram em fúria.

— Como se atreve a me bater!

Mordia os lábios com ódio, mas, ao erguer o olhar, deparou-se com o rosto de Qin Feng, sombreado contra a luz, impossível distinguir-lhe a expressão, exceto por aqueles olhos brilhantes, de um fulgor aterrador.

Aqueles olhos... olhavam-na como se fitassem um cadáver!

Jamais vira, até então, um olhar que fizesse até os monstros do campo de batalha tremerem de pavor.

Ela desabou de joelhos, tremendo sem controle.

O medo a dominava; um terror irracional diante daquele homem!

— Levem-na — Qin Feng ordenou, o rosto sombrio, passando por ela como se fosse lixo atirado ao chão, indo direto à menina inconsciente.

Levíssima.

Ao erguer a menina nos braços, Qin Feng sentiu um peso esmagador no peito; contudo, o corpo da criança era tão leve que o aterrorizou.

Ao enxergarem o interior da cabana, Luo Sha e os demais também se viram dominados pela fúria.

Como ousavam tratar assim a filha de Sua Excelência do Salão Asura?

— Mestre, como procederemos com eles? — Luo Sha perguntou, a voz carregada de intenção assassina.

— Não, por favor, ela é só uma criança, não sabe o que faz, eu imploro, Qin Feng! Não... não... Mestre do Salão Asura, por favor, dê-nos uma chance, eu prometo que a ensinarei! — Ao ouvir Luo Sha, Zhao Hui, em desespero, ajoelhou-se aos pés de Qin Feng.

Diante de toda aquela sucessão de horrores, Dong Jiaojiao, filha de Zhao Hui, observava boquiaberta.

Quando sua mãe havia suplicado, com tamanha humildade, a um estranho qualquer?

Ela bradou, inconformada:

— Seu desgraçado, não faça nada com a minha mãe! Olha que meu pai é Dong Chang! Quando ele voltar, você vai se arrepender!

Zhao Hui, se pudesse, costuraria a boca da filha naquele instante.

Luo Sha apenas soltou um sorriso gélido.

“Dançar sobre um campo minado”, pensou. Não havia expressão melhor.

— Meu único inimigo na família Dong é Dong Chang — Qin Feng respondeu, contendo a fúria, pois do contrário não poderia responder por seus atos. Com o rosto impassível, segurava nos braços a delicada criança, de respiração quase imperceptível. — Contudo... vejo que você também não deve permanecer.

“Não deve permanecer?”

O olhar de Luo Sha recaiu sobre Zhao Jiaojiao, um sorriso sanguinário surgindo-lhe nos lábios.

— Sim, mestre! — Diante da resistência de Zhao Hui, que se agarrava à sua perna, suplicando para que poupasse Jiaojiao, voltou a perguntar: — E esta mulher, mestre?

— Da família Dong, não deve restar um sequer — Qin Feng declarou, a voz glacial.

— Sim, mestre! — Luo Sha acatou.

Do fundo do jardim, os gritos e lamentos de Zhao Hui ecoavam, apavorando ainda mais os que permaneciam na sala.

— Talvez devêssemos chamar a polícia... — alguém murmurou, aterrorizado, enquanto um homem junto à porta já tirava o celular do bolso, pronto para discar.

Mas, nesse instante, uma mão encharcada pelo cheiro de sangue arrancou-lhe o aparelho antes do toque derradeiro.

Ao levantar o olhar, ele se deparou com o rosto de Luo Sha, sorridente como um demônio.

— Um conselho: não se metam onde não são chamados — Luo Sha sorriu.

O homem sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha, suando frio dos pés à cabeça.