Capítulo Oito: Colegas de Escola do Passado

Istana Shura Chen Bei Chen 2460kata 2026-03-15 14:51:50

— O que as crianças costumam gostar? — Talvez por causa dos acontecimentos envolvendo o diretor da prisão, Qin Feng se viu assaltado por lembranças de outros tempos, e seu ânimo na volta não era dos melhores. Procurando desviar o assunto, lançou a pergunta de modo casual.

Ao ouvir tal indagação, Shi Yi permaneceu estupefato por longos instantes. Se não fosse pela sua postura profissional, e pelo fato de o homem sentado no banco traseiro ser Qin Feng, teria se arriscado a perguntar:

— Ele nunca sequer tocou na mão de uma mulher; seria mesmo alguém capaz de saber do que uma criança gosta?

Só então Qin Feng, como quem se dá conta tardiamente, murmurou para si mesmo:

— Verdade... Como poderia você saber?

Aludido de forma tão sutil, Shi Yi manteve o semblante impassível, mas ainda assim sugeriu:

— Na internet dizem que meninas gostam de bonecas Barbie.

Qin Feng lançou-lhe um olhar surpreso:

— Boa sugestão.

Logo à frente havia uma grande loja de brinquedos de luxo; Qin Feng ponderou por um instante e, sem mais delongas, pediu que parassem o carro.

Sob o olhar incrédulo de Shi Yi, ele desceu do veículo com passos largos e decididos.

Quem poderia imaginar que o “Deus da Morte” venerado por todos no Salão de Asura era, em privado, um pai disposto a perambular por uma loja de brinquedos em busca do presente ideal para sua filha?

Era uma ruptura total da imagem que dele se tinha.

A princípio, Qin Feng pretendia seguir o conselho de Shi Yi e comprar uma Barbie.

No entanto, percebendo o olhar curioso de outros pequenos frequentadores da loja, sua mão desviou-se instintivamente para o lado, até que, por fim, apanhou um imponente gorila de pelúcia, de cor castanha.

Assim, combinava melhor com ele, um homem feito.

Todavia, ao pagar e sair da loja, Qin Feng arrependeu-se de sua escolha.

Será que aquela garotinha gostaria do gorila?

Enquanto se atormentava com essa dúvida, um grito repentino ecoou a certa distância.

Duas figuras, perseguidas por alguém, adentraram um beco estreito.

Foi apenas um instante, mas Qin Feng conseguiu ver.

Havia algo de familiar...

De súbito, recordou-se de algo, e, sem hesitar, encaminhou-se com passos firmes para o local.

Shi Yi, ao volante, ficou atônito.

Pois o mestre jamais fora alguém a agir por puro impulso ou heroísmo gratuito; estaria ele de bom humor naquele dia?

Sem se preocupar com mais nada, Shi Yi apressou-se a sair do carro e seguiu atrás dele.

No beco, a luz era escassa e turva.

Um homem e uma mulher estavam encurralados no canto por diversos indivíduos de ar malandro; o líder exibia uma cicatriz atravessando o rosto, cortando o nariz, conferindo-lhe um aspecto feroz e ameaçador.

— Maldito, devolva o dinheiro! Fez seu avô procurar por você tanto tempo! — bradou o chefe da gangue, cuspindo ao chão com raiva.

O homem encurralado protestava, quase em pranto:

— Não somos nós que devemos o dinheiro...

— Poupe-me de desculpas! — replicou o chefe, impaciente. — Seu tio me deve um milhão, fugiu, então eu venho cobrar de você!

O grupo de comparsas ao fundo reforçou:

— Wang Feng, pague logo. Assim evita sofrer!

Cinquenta mil, para um cidadão comum, era uma quantia impossível de saldar de imediato.

Wang Feng, percebendo não haver saída, falou com voz trêmula:

— Senhores, realmente não disponho dessa quantia agora, poderia me conceder alguns dias...?

— Tudo bem! — surpreendentemente, o chefe da gangue aceitou sem hesitar.

Mas seus olhos fixaram-se na mulher ao lado de Wang Feng, repletos de cobiça:

— Só que alguém vai ficar como garantia. A moça ao seu lado parece adequada.

A jovem, de fato, era de beleza singular: curvas acentuadas e semblante puro, não era surpresa que atraísse o olhar do homem marcado.

— Concordo, chefe. Quem sabe se, ao libertarmos vocês, não fugirão? — Os comparsas, entre risos obscenos, logo se alinharam à proposta.

— Feng... — a moça, sob o olhar lascivo, refugiou-se atrás de Wang Feng, à beira das lágrimas.

Wang Feng, conhecendo as intenções torpes do grupo, explodiu em fúria:

— Não ultrapassem os limites!

— Ultrapassar? Se não quer entregar a moça, então pague! — vociferou o chefe, desferindo um soco no rosto de Wang Feng.

Wang Feng cambaleou, o sangue escorrendo do nariz.

— Feng! — exclamou a jovem Liu Wanyue, aflita e temerosa, mas também cheia de ternura.

— Não se preocupe... Estou aqui. — Wang Feng esforçou-se para se manter firme, sem mostrar qualquer hesitação.

O chefe zombou:

— Um inútil como você querendo proteger uma mulher? Neste mundo, quem tem o punho mais forte é quem dita as regras!

Naquele dia, ele queria tanto o dinheiro quanto a mulher!

Porém, quando se preparava para agir, percebeu que Wang Feng fitava algo atrás de si, com um olhar perplexo.

Antes que pudesse reagir, um golpe veloz atingiu seu pescoço, lançando-o ao chão com violência, quebrando-lhe dois dentes.

— Quem é esse?! — Os comparsas, assustados, giraram-se e depararam-se com um homem de expressão fria, segurando um gorila de pelúcia — uma cena, de fato, inesperada.

— Qin Feng?! — Wang Feng reconheceu o recém-chegado, incrédulo.

— Maldito! Quem ousa atacar-me pelas costas? — O chefe, ainda atordoado, ergueu-se com dificuldade.

Ao perceber que era apenas Qin Feng, a fúria tomou-lhe o rosto:

— O que estão esperando? Ataquem esse miserável!

Com um gesto, seus comparsas avançaram, afinal, era apenas um homem.

Mas, de repente, o som de passos acelerados ecoou; Shi Yi chegou, agarrando o punho de um dos atacantes e, com olhos gélidos como bisturis, exclamou:

— Insolentes!

Num estalo seco, o braço do homem dobrou-se num ângulo impossível, arrancando gritos de horror dos demais, que, apavorados, recuaram.

O chefe, trêmulo, balbuciou:

— Vocês... vocês não sabem! Somos do Yunpeng, desafiar-nos é buscar a morte!

Wang Feng, ainda atônito, advertiu Qin Feng, aflito:

— Qin Feng, eles são do Yunpeng, não...

— Não se preocupe — Qin Feng interrompeu, sereno, lançando um olhar ao chefe. — Yunpeng já está morto.

Todos ficaram perplexos.

O chefe, ainda sem notícias do ocorrido, viu Shi Yi agir com precisão, e o temor tomou-lhe os olhos.

— Vamos... vamos embora! — ordenou, recuando com seus comparsas, mas ainda ameaçou: — Wang Feng, aguarde!

Quando o grupo se afastou, Wang Feng, incrédulo, perguntou:

— Você é... Qin Feng mesmo?

O homem diante dele, igual e ao mesmo tempo diferente do passado.

Wang Feng e Liu Wanyue foram colegas de infância de Qin Feng; quando Qin Feng enfrentou problemas, apenas esses dois acreditaram em sua inocência.

Qin Feng lembrava-se de tudo isso, por isso interveio.

Mas não entendia como Wang Feng, de família abastada, chegara a tal ponto.

Ao abordar o assunto, Wang Feng sorriu amargamente:

— Tudo culpa do meu tio... mas esqueça, não vale a pena falar nisso.

Não querendo se aprofundar, Qin Feng respeitou o silêncio, guardando suas próprias conclusões.