Capítulo 8 – Vendendo Ervas Medicinais
Os três chegaram rapidamente a um acordo.
— Então amanhã deixamos o Datou na casa da sua avó, e vamos dar uma olhada — sugeriu Wen Xiuyi.
Não esperavam que Datou, que até então brincava silenciosamente com suas figuras de barro, de repente abraçasse o pescoço de Wen Xiuyi com força, recusando-se terminantemente a soltá-lo.
Wen Xiuyi olhou, confuso, para o filho mais velho e a filha.
— O Datou está com medo de que o deixemos para trás?
Mal terminara de falar, Datou apertou ainda mais o abraço, e Wen Xiuyi compreendeu de imediato. Uma criança tão pequena, naturalmente, carece de segurança. Wen Xiuyi tentou acalmá-lo, conversou longamente, mas o menino não soltava de modo algum.
— Pai, por que não levamos Datou conosco? O senhor vai ao cais, e eu e o irmão cuidaremos dele. Não vai acontecer nada — sugeriu Wen Yao. Afinal, eram dois adultos; não seria possível que não dessem conta de uma criança. Diante da relutância de Datou, não tinham coração para deixá-lo em casa.
Os olhos de Datou brilharam, e ele acenou vigorosamente com a cabeça, imediatamente pulando do colo de Wen Xiuyi para agarrar a mão de Wen Yao, prometendo, assim, que se comportaria e não sairia correndo.
Wen Xiuyi sentiu o coração amolecer:
— Que criança mais sensata...
E, em silêncio, amaldiçoou mais uma vez Meng De, aquele homem sem escrúpulos.
Já que iriam à cidade, poderiam aproveitar para comprar algumas coisas de que precisavam em casa. Wen Yao contou a Wen Xiuyi sobre o esconderijo de moedas de Datou. Ao abrir o saquinho, contaram mais de trezentas moedas.
Wen Xiuyi, surpreso, afagou a cabeça do caçula:
— Ora, um verdadeiro avarento! — Não sabia como o menino havia juntado tanto dinheiro; talvez fosse herança da mãe.
Datou, julgando estar sendo elogiado, esfregou a cabeça na palma da mão do pai, levando Wen Xiuyi a abraçá-lo novamente, enchendo-o de elogios: “meu bom filho”.
O primogênito, Wen Jun, levantou-se então:
— Vou até a antiga casa avisar o avô e a avó. Aproveito para pedir ao segundo e ao terceiro tio que venham arrumar a cozinha amanhã. Como não estaremos em casa, teremos que incomodá-los para cuidarem dela.
Naquele dia, não haviam encontrado nenhum dos tios, e a cozinha permanecia desorganizada.
Wen Xiuyi assentiu e voltou-se para Wen Yao:
— Yao Yao, dê cinquenta moedas ao seu irmão para ele levar. Arrumar a cozinha dá trabalho, exige materiais, e, além disso, em todos esses anos, nunca pude realmente mostrar minha gratidão ao seu avô e à sua avó. Apesar de, para nós, esse dinheiro ser muito agora, o pai promete que, daqui para frente, vai se esforçar para lhes dar cada vez mais.
— O dinheiro é do Datou, precisamos perguntar a ele — ponderou Wen Yao, voltando-se para o menino: — Datou, podemos?
A pequena criatura pressionou com força o saquinho de moedas contra o peito de Wen Yao, acenando com a cabeça, como se dissesse: podem pegar tudo, é de vocês.
Só então Wen Yao separou as cinquenta moedas para Wen Jun e, além disso, colocou algumas pinhas e nozes silvestres para ele levar.
Logo Wen Jun retornou.
— Vovô e vovó aceitaram o dinheiro, disseram que amanhã o segundo e o terceiro tio virão arrumar tudo. Perguntaram também se, já que todos iremos à cidade, não seria melhor deixar Datou lá com eles — contou Wen Jun.
Assim que ouviu isso, Datou se encolheu no colo de Wen Xiuyi.
Wen Xiuyi, afagando-lhe as costas, disse:
— Não, já prometi que o levaria conosco. Amanhã, vocês dois devem cuidar muito bem do irmãozinho; perder uma criança por aqui não é fácil de encontrar.
Os irmãos garantiram que cuidariam bem de Datou. Assim, cada um se recolheu ao seu canto para dormir. Exceto Datou, que, mesmo à noite, só conseguia dormir agarrado à manga de Wen Yao, temendo que partisse enquanto ele dormia.
No dia seguinte, antes mesmo do amanhecer, os quatro já estavam de pé. Wen Yao aproveitou a farinha restante para cozinhar pãezinhos no vapor. Wen Jun pôs a cesta nas costas, Wen Xiuyi carregou Datou, Wen Yao trancou as duas modestas portas restantes e, após uma breve despedida na casa velha, puseram-se a caminho de sua primeira viagem à cidade.
Datou, por ser ainda pequeno, dormiu durante todo o trajeto até a entrada da cidade. Só despertou ao ouvir o burburinho ao redor, abrindo os olhos para contemplar o portão monumental e a multidão agitada. Com curiosidade sem fim, olhava de um lado para o outro, como se os olhos não dessem conta de absorver tudo.
Wen Xiuyi deixou os três irmãos numa rua próxima à farmácia, indicou-lhes a direção do cais e recomendou que, ao terminarem, o encontrassem lá. Depois, afagou a cabeça do caçula e partiu, decidido a buscar o sustento da família.
Wen Jun e Wen Yao já estavam habituados a despedidas assim. Só Datou ficou parado, olhando fixamente na direção por onde Wen Xiuyi partira, até que Wen Yao segurou-lhe a mão e, com Wen Jun, entrou numa farmácia. Só então Datou levantou a cabeça, olhou para os irmãos e os seguiu.
Como ainda era cedo, a farmácia estava vazia de pacientes; só um jovem aprendiz arrumava os remédios e limpava o local. Ao vê-los entrar, interrompeu o que fazia e veio recebê-los.
— Vieram consultar-se ou comprar remédios? — perguntou, cordial.
Wen Yao, segurando a mão de Datou, sorriu:
— Grande irmão, gostaria de saber se vocês compram ervas medicinais.
Embora frágil, Wen Yao havia se arrumado com especial cuidado para sair naquele dia. As roupas eram humildes, mas a doçura nas palavras compensava.
O rapaz olhou para os três, notou a cesta nas costas de Wen Jun e compreendeu de imediato, sorrindo:
— Compramos, sim. Por favor, aguardem um instante que vou chamar o gerente.
Wen Yao agradeceu. O rapaz, corando, retribuiu dizendo que não era incômodo e foi chamar o gerente.
Wen Yao observou atentamente o ambiente e ficou bem impressionada com a farmácia: tudo estava meticulosamente disposto e limpo, até mesmo os instrumentos sobre o balcão estavam organizados, demonstrando o zelo de quem ali trabalhava.
Afinal, sendo uma “casa de saúde”, o asseio era, por si só, um convite à confiança.
Pouco depois, o aprendiz retornou com o gerente — um homem de mais de quarenta anos. Este, após observar atentamente os irmãos, perguntou:
— São vocês que vieram vender ervas?
Wen Yao deu um leve empurrão em Wen Jun, que adiantou-se, cumprimentando com respeito:
— Boa tarde, gerente. Somos nós, sim.
O gerente arqueou as sobrancelhas, surpreso ao perceber que não eram garotos rudes do campo, mas sim crianças corteses, o que lhe causou boa impressão. Sacudiu as mangas e disse:
— Pois bem, mostrem o que trouxeram.
Wen Jun pousou a cesta, mostrando o aspargo selvagem que haviam colhido.
O gerente examinou alguns ramos, vasculhou até o fundo e, após cuidadosa análise, assentiu:
— A qualidade é boa, mas são plantas novas. Pagamos trinta e cinco moedas a libra. Se aceitarem, podem deixar aqui. Se quiserem, podem procurar outros compradores e, se decidirem voltar, não há problema.
O aprendiz, ao lado de Wen Yao, sorriu:
— Não se preocupem, irmãzinha. Nosso gerente é o mais honesto desta rua; todos sabem disso. Podem confiar.
Wen Yao não tinha motivos para desconfiar. Afinal, uma farmácia de tal porte não se daria ao trabalho de enganar gente simples como eles; não ficariam ricos com umas poucas libras de aspargo.
— Então, por gentileza, pese as ervas para nós — disseram os irmãos.
O gerente, percebendo que, embora mal vestidos, eram limpos e educados, perguntou:
— Há alguém na família que entende do assunto? — O aspargo selvagem não era facilmente identificável por quem não conhecesse medicina.
Wen Jun, sem hesitar, respondeu com cortesia:
— Aprendi um pouco com os mais velhos.
O gerente observou-o por um instante e assentiu, compreendendo. Disse, então:
— Sempre que colherem mais ervas, podem trazer diretamente para mim. Mas aviso: só aceito material de boa qualidade.
Wen Jun agradeceu, fazendo uma nova reverência:
— Naturalmente. Agradecemos muito.
O aprendiz logo pesou as ervas: havia vinte e duas libras, perfazendo setecentas e setenta moedas.
O gerente pagou, e os irmãos, após uma nova rodada de agradecimentos, foram acompanhados até a porta pelo aprendiz. Ao saírem, ainda ouviram o rapaz anunciar:
— Doutor Jin, o senhor chegou!
Wen Yao olhou para trás e viu um velho médico de barba alva sendo conduzido para dentro da farmácia.