Volume I Capítulo 5 O Dedo de Ouro Espacial se Revela, Mudar, Mudar, Mudar!
— Primo. — Lin Ranran adentrou-se no pátio da família Pei, chamando.
— Ranran, você chegou. — Sua tia, Lin Su'e, veio recebê-la com um sorriso.
Entretanto, ao perceber o ventre levemente arredondado de Lin Ranran, o sorriso se desfez num instante, dando lugar a uma expressão de desdém.
Esta era a tia da protagonista original; não foram poucas as vezes que a antiga Lin roubou ouro e joias da família Ji para presenteá-la. Mais ultrajante ainda, após o casamento da protagonista com a família Pei, a tia tornou-se sua sogra e passou a explorá-la sem piedade, obrigando-a a executar as tarefas mais árduas e vis, além de submetê-la a maus-tratos. Para sobreviver naquela casa, só restava à protagonista engolir a humilhação.
— Tia, vim procurar o primo. Ele está em casa? — perguntou Lin Ranran, contendo o asco.
— Ele foi ferido por Ji Junxiao, está deitado na cama — respondeu Lin Su'e, com evidente má vontade.
O quê? Ele foi mesmo espancado? Lin Ranran pensara que Ji Junxiao apenas a enganara; quase não conteve o riso.
— Ji Junxiao passou dos limites! Eu não vou deixá-lo impune! — exclamou Lin Ranran, fingindo-se indignada.
Lin Su'e, bufando de raiva, disse:
— Eu estava justamente indo à família Ji tirar satisfação. Ele tem que nos pagar as despesas médicas! Só com o soro já gastamos dez yuans.
Os olhos de Lin Ranran brilharam com astúcia:
— Tia, tenho uma ideia.
Os olhos de Lin Su'e se iluminaram:
— Diga, conte-me!
— Tia, a senhora não gostaria de pôr as mãos em todas as joias e riquezas da família Ji?
Lin Su'e assentiu com fervor.
Lin Ranran acariciou o ventre:
— Para que eu mantenha o bebê, a família Ji prometeu entregar-me toda a administração da casa, com todos os bens e joias. Pelo que sei, ainda têm três mil yuans e baús de joias. Tia, imagine: assim que eu assumir o comando, levo toda a fortuna deles, aborto o filho, peço o divórcio e dou o golpe fatal. No fim, mando todos chorando para o campo, para comer lavagem de porco. Não é vingança doce?
Os olhos de Lin Su'e cintilaram:
— É um plano perfeito! Ji Junxiao ousou ferir meu querido filho, agora é a vez deles apodrecerem no campo!
— Só que... — Lin Ranran assumiu um ar de hesitação.
— Está com algum problema? — perguntou Lin Su'e.
— O dinheiro que eles me deram de salário já gastei todo. Enganei-os tantas vezes que não confiam mais em mim. Disseram que só me deixam administrar se eu mostrar as economias da família.
— Fácil. Peça ao seu primo que lhe empreste algum dinheiro — sugeriu Lin Su'e.
— Tia, a senhora sabe: quase tudo que tirei da família Ji já entreguei ao primo — respondeu Lin Ranran, suspirando.
— Ora, você vai se casar com a família Pei, não há por que distinguir o que é de quem — declarou Lin Su'e, cheia de razão.
Então não pretende admitir o que lhe foi dado? Lin Ranran cerrou os punhos e semicerrando os olhos, assentiu:
— Tem razão, não precisamos dividir nada. Só temo que o primo se recuse a emprestar. Seria melhor se a senhora conversasse com ele antes. Ah, e aquelas joias, vales de mantimentos e alimentos que lhe dei, traga tudo. Preciso acalmar a família Ji primeiro.
— Está bem. Vou falar com An’er e depois reúno as joias para você. Sente-se um pouco — disse Lin Su'e, subindo as escadas.
Sentada no sofá, Lin Ranran observava, entediada, a casa de seu primo.
Seus olhos pousaram sobre a mesa de centro à sua frente. O acabamento em madeira era refinado, a textura firme e agradável ao toque — um material de primeira qualidade. Ela não pôde deixar de imaginar como seria imponente levar aquela mesa para o campo.
Enquanto sonhava, sentiu um calor súbito no pulso: a pulseira de jade que adquirira por nove yuans e noventa centavos num certo site começou a emitir uma luz tênue e misteriosa. O brilho intensificou-se, ferindo-lhe os olhos, e uma força irresistível a puxou, mergulhando-a na escuridão. Num instante, foi sugada para dentro.
Quando Lin Ranran recobrou a consciência, ficou estarrecida com o que via!
Encontrava-se em um espaço fantástico, como um sonho. Sob seus pés, a relva era verdejante; ao redor, flores de todas as cores desabrochavam em profusão, exalando fragrâncias inebriantes. Não longe dali, uma cabana de madeira delicada erguia-se silenciosa. Ao lado, um riacho cristalino murmurava suavemente.
— Isto… isto é aquele “espaço portátil”, o famoso trunfo das protagonistas de romance transmigrado? Meu Deus, que mérito tenho eu para merecer isto?
Com o coração aos pulos, Lin Ranran apressou-se em direção à cabana. O interior era simples: um cômodo, uma sala, uma cozinha e um banheiro. Mas, além da estrutura básica, não havia nada, o vazio tornava o ambiente um tanto gélido.
— Quer dizer que devo mobiliar tudo eu mesma?
— Está certo. Antes de ir para o campo, encher este espaço até transbordar!
Deixou a cabana, respirou fundo e, concentrando-se, pensou: “Quero sair do espaço e trazer provisões!”
E o milagre aconteceu: mal terminou o pensamento, um lampejo de luz e ela estava de volta ao sofá de antes.
Os olhos de Lin Ranran brilharam com decisão. Focou a mesa de centro e, num impulso mental, fez com que a peça desaparecesse diante de si. Ao espiar o espaço, lá estava a mesa, já no centro da sala.
Empolgada com o êxito, Lin Ranran não se conteve: logo transferiu também as cadeiras, a mesa entalhada e alguns baús para o espaço. Quanto mais transferia, maior era sua excitação.
Por fim, esvaziou a cozinha de arroz e óleo!
— Ranran, vá ver seu primo — chamou a tia, descendo as escadas.
Lin Ranran se levantou prontamente:
— Sim, tia, vá buscar logo as joias para mim.
— Está bem — respondeu Lin Su'e, sentindo estranhamente que a casa parecia mais vazia. Achou que era impressão de sua idade e, apressada, foi ao quarto conferir as joias recebidas.
Ao entrar no quarto, Lin Ranran deparou-se com Pei Yu'an, o rosto marcado por hematomas — e em seu íntimo, rejubilou-se. Ji Junxiao realmente não teve dó! Não é à toa que o escolhi!
Um canalha como este merece uma surra de matar!
— Primo, você está tão mal! — disse Lin Ranran, fingindo enxugar lágrimas. — Meu coração dói por você!
Pei Yu'an rangeu os dentes de raiva:
— Foi tudo culpa daquele desgraçado do Ji Junxiao!
— Chorei tanto, primo, você é tão digno de pena, sinto um aperto no peito!
— Melhor não falar mais nisso. O importante é que valeu a pena. Aqui estão quinhentos yuans e vales de mantimentos, leve e acalme a família Ji — disse Pei Yu'an, tirando debaixo do travesseiro um envelope surrado e entregando a Lin Ranran.
Os olhos dela brilharam; pegou o envelope e, num piscar, o transferiu para seu espaço.
— Primo, a família Ji é muito rica. Agora, para que eu mantenha o filho, posso pedir o que quiser que eles aceitam. — Lin Ranran girou os olhos, astuta. — Veja, tenho aqui uma nota promissória de dois mil yuans; que tal assinar? Eles ainda têm três mil guardados, mas temo que não queiram me entregar tudo.
O olhar de Pei Yu'an denunciou surpresa:
— A família Ji tem tanto dinheiro assim?
— Pois é, herança dos antepassados. Devem ter pilhado muito — garantiu Lin Ranran.
— Mas se eu pedir emprestado, eles vão dar?
— Está tudo por escrito, não podem recusar. Se tentarem, eu uso de todos os artifícios: choro, escândalo, ameaço me matar.
— Depois não esqueça de rasgar a nota — pediu ele.
— Evidente. Por você, primo, faço qualquer sacrifício. Meu sentimento é sincero, será que ainda não compreendeu?
Ao pensar que ela era uma tola apaixonada, Pei Yu'an assinou rapidamente a nota.
Tolo! E ainda se diz militar.
Na verdade, tudo o que conseguiu foi por meio de intrigas.
— Primo, recupere-se bem. Espere por mim, retornarei vitoriosa! — Lin Ranran contemplou a nota assinada, sentindo-se de ótimo humor, e olhou para Pei Yu'an com um inusitado ar de benevolência.