Capítulo 7: O Encanto Celestial que Dissipa Grievances

Matahari Terik Dinasti Song Peri Pengisi Laut 2666kata 2026-03-14 14:37:58

Na casa do Professor Pan, na vila de Baixia, chegaram pela manhã quatro mercadores de passagem, dizendo que vinham pedir um pouco de água. Embora sentisse-se desconfortável, recusar alguém em dia de tamanha alegria certamente faria com que fosse acusado de bajular poderosos e, ao alcançar a própria ascensão, mostrar-se um homem mesquinho. Considerou, então, que ao menos estaria acumulando virtudes para a filha. Enquanto servia chá aos mercadores, também lhes ofereceu um desjejum.

Os quatro agradeceram efusivamente, prodigalizando bênçãos à filha do Professor Pan, afirmando que certamente teria fortuna e riqueza, e que, caso desse à luz um filho, este seria laureado como primeiro entre os eruditos. O Professor Pan, com o rosto carregado de preocupação, permaneceu calado, suspirando sob o peso dos próprios pensamentos.

Nesse instante, ouviu-se do quarto interior o som de choro e lamento. O Professor Pan levantou-se e, curvando-se, disse:
— Senhores, continuem à vontade, vou ver minha filha!

Um dos mercadores, de cabelos vermelhos e barba amarelada, perguntou intrigado:
— Mestre, por que neste dia de júbilo ostenta o senhor tal semblante sombrio e ouve-se ainda um lamento tão doloroso? O que terá acontecido?

— Ai... — suspirou longamente o Professor Pan — É uma história difícil de resumir em poucas palavras!

— Ora, diz o ditado que três cabeças de sapateiro superam a de um Zhuge Liang. Conte-nos, mestre! Quem sabe possamos ajudá-lo a encontrar uma solução e dissipar-lhe as mágoas.

— Ai... — tornou a suspirar o Professor Pan, e lentamente expôs a origem de sua angústia: sua filha fora forçada, pelo déspota Liu Fugui, da vila, a tornar-se sua concubina. A família Pan não consentia, e muito menos a jovem, mas, como dizem, o braço não vence a coxa; não havia o que fazer!

— Vede só, o destino parece brincar conosco! — exclamou o mercador de cabelos vermelhos — Por acaso, posso resolver vossa aflição. Tive a ventura de cruzar com o imortal Lin Suling, e desejava tornar-me seu discípulo. Contudo, o imortal declarou que minha raiz de sabedoria era limitada, recusando-me tal honra. Disse, porém, que encontro é destino, e transmitiu-me um feitiço antes de partir: o Encanto do Imortal Que Dissipa Ressentimentos, destinado a resolver desventuras humanas. Quando vierem buscar a noiva, recitarei o feitiço, e aquele homem certamente recuará, devolvendo-vos uma filha radiante de felicidade.

— É verdade? — O Professor Pan deixou transparecer um brilho de esperança, mas ainda desconfiado, fixou os olhos no estranho: — Não estarás zombando deste velho?

— Se não credes em mim, não credeis tampouco no imortal Lin Suling? Ele convoca ventos e chuvas, semeia grãos que se tornam soldados, sendo indispensável ao próprio Daojun, o Senhor do Caminho. O feitiço que me transmitiu decerto não é trivial. Além disso, em todos os anos em que lancei este encanto, jamais conheci fracasso. Sossegai o coração, mestre: quando a magia for proferida, nada poderá detê-la.

Diante do desespero, até os mais sábios recorrem a charlatães. O Professor Pan, sua esposa e sua filha, banhados de júbilo, trataram de oferecer aos mercadores vinho e carne em agradecimento. Estes, por sua vez, não se fizeram de rogados e comeram com apetite voraz.

Sem que percebessem, os sons festivos dos músicos que anunciavam o cortejo nupcial já se ouviam. O mercador de cabelos vermelhos trocou um olhar com um dos companheiros, que rapidamente saiu. Então disse:
— Prepararei o feitiço. Recebei os convidados!

Em pouco tempo, o cortejo adentrou o pátio, ao som de música e festejo. A casamenteira, remexendo suas ancas fartas, bradou:
— Professor Pan, apresse-se em entregar sua filha à liteira nupcial!

— Esperem!
O mercador de cabelos vermelhos dirigiu-se ao noivo, adornado de vermelho e verde:
— Sois vós o jovem senhor Liu Fugui?

Liu