Capítulo 7: O Encanto Celestial que Dissipa Grievances
Na casa do Professor Pan, na vila de Baixia, chegaram pela manhã quatro mercadores de passagem, dizendo que vinham pedir um pouco de água. Embora sentisse-se desconfortável, recusar alguém em dia de tamanha alegria certamente faria com que fosse acusado de bajular poderosos e, ao alcançar a própria ascensão, mostrar-se um homem mesquinho. Considerou, então, que ao menos estaria acumulando virtudes para a filha. Enquanto servia chá aos mercadores, também lhes ofereceu um desjejum.
Os quatro agradeceram efusivamente, prodigalizando bênçãos à filha do Professor Pan, afirmando que certamente teria fortuna e riqueza, e que, caso desse à luz um filho, este seria laureado como primeiro entre os eruditos. O Professor Pan, com o rosto carregado de preocupação, permaneceu calado, suspirando sob o peso dos próprios pensamentos.
Nesse instante, ouviu-se do quarto interior o som de choro e lamento. O Professor Pan levantou-se e, curvando-se, disse:
— Senhores, continuem à vontade, vou ver minha filha!
Um dos mercadores, de cabelos vermelhos e barba amarelada, perguntou intrigado:
— Mestre, por que neste dia de júbilo ostenta o senhor tal semblante sombrio e ouve-se ainda um lamento tão doloroso? O que terá acontecido?
— Ai... — suspirou longamente o Professor Pan — É uma história difícil de resumir em poucas palavras!
— Ora, diz o ditado que três cabeças de sapateiro superam a de um Zhuge Liang. Conte-nos, mestre! Quem sabe possamos ajudá-lo a encontrar uma solução e dissipar-lhe as mágoas.
— Ai... — tornou a suspirar o Professor Pan, e lentamente expôs a origem de sua angústia: sua filha fora forçada, pelo déspota Liu Fugui, da vila, a tornar-se sua concubina. A família Pan não consentia, e muito menos a jovem, mas, como dizem, o braço não vence a coxa; não havia o que fazer!
— Vede só, o destino parece brincar conosco! — exclamou o mercador de cabelos vermelhos — Por acaso, posso resolver vossa aflição. Tive a ventura de cruzar com o imortal Lin Suling, e desejava tornar-me seu discípulo. Contudo, o imortal declarou que minha raiz de sabedoria era limitada, recusando-me tal honra. Disse, porém, que encontro é destino, e transmitiu-me um feitiço antes de partir: o Encanto do Imortal Que Dissipa Ressentimentos, destinado a resolver desventuras humanas. Quando vierem buscar a noiva, recitarei o feitiço, e aquele homem certamente recuará, devolvendo-vos uma filha radiante de felicidade.
— É verdade? — O Professor Pan deixou transparecer um brilho de esperança, mas ainda desconfiado, fixou os olhos no estranho: — Não estarás zombando deste velho?
— Se não credes em mim, não credeis tampouco no imortal Lin Suling? Ele convoca ventos e chuvas, semeia grãos que se tornam soldados, sendo indispensável ao próprio Daojun, o Senhor do Caminho. O feitiço que me transmitiu decerto não é trivial. Além disso, em todos os anos em que lancei este encanto, jamais conheci fracasso. Sossegai o coração, mestre: quando a magia for proferida, nada poderá detê-la.
Diante do desespero, até os mais sábios recorrem a charlatães. O Professor Pan, sua esposa e sua filha, banhados de júbilo, trataram de oferecer aos mercadores vinho e carne em agradecimento. Estes, por sua vez, não se fizeram de rogados e comeram com apetite voraz.
Sem que percebessem, os sons festivos dos músicos que anunciavam o cortejo nupcial já se ouviam. O mercador de cabelos vermelhos trocou um olhar com um dos companheiros, que rapidamente saiu. Então disse:
— Prepararei o feitiço. Recebei os convidados!
Em pouco tempo, o cortejo adentrou o pátio, ao som de música e festejo. A casamenteira, remexendo suas ancas fartas, bradou:
— Professor Pan, apresse-se em entregar sua filha à liteira nupcial!
— Esperem!
O mercador de cabelos vermelhos dirigiu-se ao noivo, adornado de vermelho e verde:
— Sois vós o jovem senhor Liu Fugui?
Liu