Capítulo Sete: Que Sua Majestade Desfrute de Mil Felicidades e Paz Dourada
A Imperatriz Viúva Song residia no Palácio Ci’an, situado no lado oeste do harém imperial. O edifício era imponente e esplêndido, de vastas proporções, superado em tamanho apenas pelo Palácio Qingyuan, de Wei Shenzhi, e pelo Palácio Cining, da Imperatriz Viúva Chen.
Enquanto mãe biológica do imperador, Song sentia-se injustiçada por viver em aposentos inferiores aos de outrem—este era, aliás, um dos motivos de sua aversão à Imperatriz Viúva Chen.
Em suma, a Imperatriz Viúva Song era, por natureza, mesquinha e rancorosa.
Acompanhada por An Shunyi, Chu Herong atravessou o Jardim Imperial, o Palácio Taide, até alcançar o Palácio Ci’an, ingressando por uma porta lateral. A sala principal, de cinco vãos, ostentava entalhes e pinturas refinadas; nos corredores laterais, pendiam gaiolas com papagaios, pintassilgos e outros pássaros de cores vivas e trejeitos jocosos. Chu Herong apenas lhes lançou um olhar antes de ser conduzida por An Shunyi ao salão lateral, onde duas jovens criadas, recém ingressas no serviço, examinaram-na rigorosamente, certificando-se de que não portava qualquer arma, antes de permitir sua entrada no salão principal.
Ao adentrar o grande salão, deparou-se com um biombo monumental de mármore sobre armadura de sândalo púrpura. Só ao contorná-lo alcançou os aposentos privados da Imperatriz Viúva Song.
“Esta serva presta reverência à Imperatriz Viúva Song, desejando-lhe saúde e venturas eternas.” Chu Herong uniu as mãos à testa, ajoelhando-se em solene vênia.
“Hum!” A Imperatriz Viúva Song, sentada em seu trono, baixou o olhar para Chu Herong, soltando um resmungo indiferente, sem, contudo, ordenar que ela se levantasse. Ao contrário, sua voz soou gélida e sarcástica: “Oficial Chu, ouvi dizer que vieste do palácio da irmã Chen. Como é que, sendo assim, ainda não compreendes as regras? Não saúdas a senhorita Song?”
A tal senhorita Song nada mais era que Song Qibo, sentada ao lado da Imperatriz Viúva Song, aparentando compostura e silêncio, embora pelo olhar revelasse que observava atentamente Chu Herong—justamente aquela que fora testemunha de sua humilhação.
O ódio fervia no íntimo de Song Qibo. Embora soubesse do plano da Imperatriz Viúva Song—e, de fato, tivesse levado pessoalmente os doces “especiais” ao Palácio Qingyuan, na esperança de agradar o Imperador e traçar um destino favorável—, tinha plena consciência de que aquilo era um ato ignóbil, uma vergonha que faria qualquer donzela solteira preferir o suicídio à desonra.
O fracasso, ao menos, não era o fim: com a proteção da Imperatriz Viúva Song, Song Qibo não temia perder o ingresso no harém. Se não lograra vantagem, poderia aguardar e agir com paciência; afinal, o imperador era seu primo, e tal vantagem inata lhe permitiria recuperar terreno.
Contudo...
Nada disso a autorizava a ignorar a afronta de uma simples oficial presenciando sua desgraça.
Ao fingir-se desmaiada sobre o leito imperial do Palácio Qingyuan e ouvir aquela tal Chu ordenar friamente que a “removessem”, Song Qibo sentiu o peito arder de vergonha e raiva, desejando poder despertar apenas para matá-la de imediato—mas, ao pensar na humilhação que a aguardava ao recobrar os sentidos, faltava-lhe coragem!
De volta ao Palácio Ci’an, enfrentando a ira da Imperatriz Viúva Song, Song Qibo conteve as lágrimas e atribuiu todo o fracasso a Chu Herong, alegando que a oficial invadira o salão e arruinara os planos da Imperatriz Viúva.
Para sua sorte, Chu Herong era originalmente uma serva destacada pela Imperatriz Viúva Chen para Wei Shenzhi, o que já lhe granjeava a antipatia da Imperatriz Viúva Song. Bastaram algumas palavras instigadoras de Song Qibo para que a fúria da Imperatriz Viúva se inflamasse, convocando Chu Herong à sua presença.
E ali mesmo, diante de todos, descarregou sua cólera.
Ao contemplar Chu Herong ajoelhada, Song Qibo regozijou-se em silêncio, já antecipando a cena de sua rival sendo repreendida, amarrada e enviada ao Tribunal Penal.
“Em resposta à augusta Imperatriz Viúva, embora a senhorita Song seja uma dama nobre do feudo, não possui título concedido. Já esta serva ocupa o cargo oficial de historiadora do Palácio Qingyuan, de quinta categoria, e, conforme as normas, não está obrigada a prestar homenagem a uma civil”, declarou Chu Herong, ajoelhada com compostura, sem erguer sequer o olhar, mas cujas palavras eram cortantes. “Aliás...”
Ela ergueu a cabeça, fitando Song Qibo com olhos límpidos e firmes, e articulou, sílaba a sílaba: “A senhorita Song ainda não é consorte do harém e não tem o direito de receber a vênia desta serva. Ao saudar Vossa Alteza, a senhorita Song deveria, em respeito ao protocolo, levantar-se e afastar-se. Tal seria a verdadeira etiqueta palaciana.”
A implicação era clara: Song Qibo era uma insolente, que, antes mesmo de integrar o harém, já se comportava como se fosse de alta posição, aceitando com naturalidade as homenagens das oficiais do palácio—o que era, no mínimo, uma desfaçatez!
“Você... você...” Song Qibo levantou-se num ímpeto, apontando para Chu Herong, mas, incapaz de replicar, ficou rubra de vergonha, os olhos marejados, e voltou-se para a Imperatriz Viúva Song em lágrimas: “Tia... tia, sou apenas uma donzela ainda não desposada. Vim ao palácio unicamente para cuidar de Vossa Alteza em sua enfermidade, sem qualquer intenção de disputar os favores do harém. Nunca imaginei ser humilhada desta forma por uma simples oficial! Tia, já não tenho rosto para permanecer aqui!”
Disse, e ergueu-se para correr dali.
Apesar de Song Qibo almejar a posição de imperatriz—tendo inclusive levado, naquela manhã, doces “especiais” a Wei Shenzhi—, certas coisas não podiam ser ditas em voz alta. Por mais disposta que estivesse em seu íntimo, em público deveria manter imaculada a reputação de uma donzela.
— Um mínimo deslize seria fatal.
Afinal, jamais houve, em qualquer dinastia, uma imperatriz que ascendeu ao trono enviando afrodisíacos ao imperador ou perdendo a virgindade antes do casamento!
Onde estaria a honra? Bastaria o rumor para condená-la ao claustro de um convento!
“Qibo, não chores! Tua tia te fará justiça”, exclamou a Imperatriz Viúva Song, apressando-se a segurar a sobrinha e consolá-la. Como senhora de um palácio, compreendia perfeitamente a situação e, embora enxergasse o que se passava, preferia calar-se. Indignada com a ousadia de Chu Herong, bateu com força o braço entalhado do trono, produzindo um estrondo, e, com as sobrancelhas retas, bradou: “Que atrevimento o teu, serva insolente! Como ousas humilhar a filha de um marquês? Foi assim que a irmã Chen te instruiu, para desafiares teus superiores?”
“Vossa Alteza, perdoe-me, mas vossas palavras não correspondem à verdade. Tudo o que disse é fiel ao protocolo: oficiais do harém não saúdam damas das famílias de ministros—tal é a norma estabelecida pela Imperatriz Fundadora. Quando ingressei no palácio, recitei tais preceitos dia e noite, e creio não haver cometido erro algum.” Chu Herong manteve-se serena, como se ignorasse a ira da Imperatriz Viúva, e continuou: “Ao ordenar que eu saudasse a senhorita Song, Vossa Alteza estaria elevando-a à condição de consorte do harém.”
“Fui ensinada pela Imperatriz Viúva Chen a zelar pelo decoro palaciano, jamais ousando transgredir ou afrontar meus superiores. Nunca admitirei tal crime, nem sob pena de morte.”
“O que digo é pura verdade e peço a Vossa Alteza que reflita detidamente.” Aproveitando-se da hesitação da Imperatriz Viúva, Chu Herong não hesitou em golpear o adversário abatido. Em sua vida anterior, fora lançada à morte no Palácio Frio justamente por tomar sobre si a culpa de Song Qibo!
Fora Song Qibo quem drogara e seduzira o Imperador, mas quem arcou com as consequências foi ela. Para proteger a sobrinha, a Imperatriz Viúva Song condenou Chu Herong à prisão perpétua no Palácio Frio, onde morreu sem jamais rever a luz do dia! Já Song Qibo, desprezada pelo Imperador após o ocorrido, perdeu o favor de Wei Shenzhi e, ao ser selecionada para o harém, visitava o Palácio Frio apenas para torturá-la, açoitando-a e espetando-a até que, antes dos quarenta, Chu Herong sucumbisse à tristeza